Al Gore na sede da Fiesp, em São Paulo. (Foto: Reprodução/TV Globo)
O ex-vice-presidente dos EUA e ganhador do Nobel da Paz em 2007
Al Gore disse nesta terça-feira (13) que a decisão sobre a
questão da conservação da Amazônia "é do Brasil". Ele
participou de um evento na Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo (Fiesp) na capital paulista.
Gore apontou que há 20 anos esteve na região
amazônica e ficou impressionado com a diferença de visão que
havia entre os brasileiros e a comunidade internacional em
relação à necessidade de se proteger a floresta.
O democrata apontou que "se fosse o
brasileiro e tivesse o direito de falar de políticas
nacionais" do Brasil, defenderia a importância da
biodiversidade. Segundo ele, é um desperdício vender a Amazônia
apenas pelo preço de sua madeira , pois seu valor é muito maior.
"Se fosse brasileiro, eu falaria, mas não vou falar",
disse, segundo tradução simultânea da Fiesp no evento - a
imprensa não teve acesso ao áudio original da palestra por
motivo de direitos autorais.
O ex-vice dos EUA destacou que um quarto das
emissões de gases causadores do efeito estufa são produzidos
pelo desmatamento. Lembrou no entanto que a Indonésia, devido à
grande quantidade de queimadas naquele país, supera o Brasil em
emissões, que ainda assim, emite muito devido à devastação.
Gore se desculpou por comentar problemas do Brasil quando os EUA emitem muito mais gases de efeito estufa. Ele se disse otimista em relação à aprovação, pelo senado americano, de uma lei de clima e de redução das emissões, ainda que insuficiente, antes das negociacões na reunião em que se definirá um novo acordo climático mundial, em dezembro, em Copenhague.
"A realidade política [nos EUA] é que será muito dificil
assegurar a redução de 4,5% a 6,5% em relação aos índices de
1990 até 2020", comentou. "Uma vez que tenhamos um
preço do carbono, isso desengatilhará reduções muito mais
rápidas".
O líder ambientalista comentou que um ponto
importante que deveria ser incluído nas negociacões no final do
ano é a "recarbonização" do solo. Segundo ele,
atualmente busca-se extrair o máximo do solo, sem pensar em sua
sustentabilidade a longo prazo e sem considerar que ele retém
mais carbono que a vegetação que sustenta.
De acordo com Gore, seria importante definir
formas de remuneração pela manutenção do carbono no solo,
viabilizando financeiramente a agricultura sustentável. Ele
ainda lembrou que na Amazônia, há séculos, índios capturavam
carbono no solo, tornando-o mais fértil, o que ficou conhecido
como "terra preta" (clique
aqui para saber mais).
Falando para uma plateia de empresários, o ex-vice americano
elogiou a matriz energética brasileira, em especial a indústria
do álcool, que, segundo ele, alcançou o maior índice de
rendimento na produçào de etanol em todo o mundo.
Gore ainda comentou a escolha do Rio de Janeiro
como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. "Gostaria de
parabenizar o Brasil pelas Olimpíadas. Foi uma realização e
tanto. Minha alegria fica reduzida pelo fato de que foi às
custas dos EUA", lamentou. Ao final do evento, Gore foi
condecorado com a Ordem do Mérito Industrial São Paulo.

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