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13/10/09 - 17h32 - Atualizado em 14/10/09 - 19h46

Em SP, Al Gore diz que cabe ao Brasil decidir sobre a Amazônia

Ganhador do Nobel elogia indústria do etanol brasileira.
Ex-vice espera que EUA aprovem lei do clima antes de reunião da ONU.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Al Gore na sede da Fiesp, em São Paulo. (Foto: Reprodução/TV Globo)

O ex-vice-presidente dos EUA e ganhador do Nobel da Paz em 2007 Al Gore disse nesta terça-feira (13) que a decisão sobre a questão da conservação da Amazônia "é do Brasil". Ele participou de um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na capital paulista.

Gore apontou que há 20 anos esteve na região amazônica e ficou impressionado com a diferença de visão que havia entre os brasileiros e a comunidade internacional em relação à necessidade de se proteger a floresta.

O democrata apontou que "se fosse o brasileiro e tivesse o direito de falar de políticas nacionais" do Brasil, defenderia a importância da biodiversidade. Segundo ele, é um desperdício vender a Amazônia apenas pelo preço de sua madeira , pois seu valor é muito maior. "Se fosse brasileiro, eu falaria, mas não vou falar", disse, segundo tradução simultânea da Fiesp no evento - a imprensa não teve acesso ao áudio original da palestra por motivo de direitos autorais.

O ex-vice dos EUA destacou que um quarto das emissões de gases causadores do efeito estufa são produzidos pelo desmatamento. Lembrou no entanto que a Indonésia, devido à grande quantidade de queimadas naquele país, supera o Brasil em emissões, que ainda assim, emite muito devido à devastação.

 

Gore se desculpou por comentar problemas do Brasil quando os EUA emitem muito mais gases de efeito estufa. Ele se disse otimista em relação à aprovação, pelo senado americano, de uma lei de clima e de redução das emissões, ainda que insuficiente, antes das negociacões na reunião em que se definirá um novo acordo climático mundial, em dezembro, em Copenhague.

 

"A realidade política [nos EUA] é que será muito dificil assegurar a redução de 4,5% a 6,5% em relação aos índices de 1990 até 2020", comentou. "Uma vez que tenhamos um preço do carbono, isso desengatilhará reduções muito mais rápidas".

O líder ambientalista comentou que um ponto importante que deveria ser incluído nas negociacões no final do ano é a "recarbonização" do solo. Segundo ele, atualmente busca-se extrair o máximo do solo, sem pensar em sua sustentabilidade a longo prazo e sem considerar que ele retém mais carbono que a vegetação que sustenta.

De acordo com Gore, seria importante definir formas de remuneração pela manutenção do carbono no solo, viabilizando financeiramente a agricultura sustentável. Ele ainda lembrou que na Amazônia, há séculos, índios capturavam carbono no solo, tornando-o mais fértil, o que ficou conhecido como "terra preta" (clique aqui para saber mais).

 

Falando para uma plateia de empresários, o ex-vice americano elogiou a matriz energética brasileira, em especial a indústria do álcool, que, segundo ele, alcançou o maior índice de rendimento na produçào de etanol em todo o mundo.

Gore ainda comentou a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. "Gostaria de parabenizar o Brasil pelas Olimpíadas. Foi uma realização e tanto. Minha alegria fica reduzida pelo fato de que foi às custas dos EUA", lamentou. Ao final do evento, Gore foi condecorado com a Ordem do Mérito Industrial São Paulo.

 

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