Índios caiapó de pelo menos quatro reservas estão se dirigindo
para o norte de Mato Grosso para protestar contra a construção
da usina de Belo Monte, planejada para ser erguida no Rio Xingu,
no Pará.
Segundo o líder indígena Megaron Txucarramae, que
também administra o posto da Funai em Colíder (MT), pelo menos
150 pessoas estarão reunidas a partir do dia 28 no cruzamento
entre a rodovia MT 322 e o Xingu, na aldeia Piaraçu, na terra
indígena Kapot/Jarinã.
Os indígenas pretendem exigir a presença de representantes do Ibama, Funai e Ministério de Minas e Energia. “Se até o governo não atender a gente até o dia quatro, vamos paralisar a balsa, e ninguém vai atravessar”, diz Txucarramae.
saiba mais
Segundo o líder indígena, os caiapós estão especialmente
aborrecidos com as declarações do ministro Edison Lobão. O chefe
da pasta de Minas e Energia disse, no final de setembro, que via
"forças
demoníacas" impedindo a realização de usinas
hidrelétricas de grande porte no país.
“Essa palavra é muito feia. Foi uma ofensa para
nós e para quem defende a natureza”, comenta o líder indígena.
História de guerra
Os caiapós – que somam cerca de 6 mil pessoas, espalhadas entre o
Pará e o Maranhão – são conhecidos por sua forte oposição a
construção de barragens. Em maio de 2008, durante uma reunião
sobre a construção de Belo Monte, eles feriram
com um facão o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando
Rezende.
O episódio foi muito parecido com uma reunião de
1989 – quando já se discutia a construção de Belo Monte –, em
que a índia caiapó Tuíra encostou um facão no rosto do então
diretor da Eletronorte, José Antonio Muniz Lopes, hoje
presidente da Eletrobrás.
PAC
Os primeiros estudos para a construção de uma hidrelétrica no Rio Xingu são de 1980. Na última concepção do projeto, foi planejada uma barragem e canais que desviam parte leito do rio e levam a água para uma casa de força. Por conta disso, um pedaço do curso d’água de cerca de 100 km ficará mais seco.
Para gerar energia será represada a maior parte do Rio Xingu em um trecho conhecido como Volta Grande, no Pará. Canais levarão a água até uma casa de máquinas, enquanto uma porção do rio ficará com o fluxo de água reduzido. (Foto: EIA-Rima/Montagem Globo Amazônia)
A obra prevê a capacidade de geração de 4.719 MW no período seco
e 11.181 MW com a usina operando em plena capacidade. Para se
ter uma ideia, a usina de Itaipu – a maior do Brasil – tem
capacidade para gerar 14 mil MW. Os reservatórios, incluindo os
canais, ocuparão uma área de 516 km², o equivalente a um terço
do município de São Paulo.
O projeto, cujo leilão está previsto
para dezembro, é o maior empreendimento de produção de
energia elétrica do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
e tem sofrido críticas de ambientalistas. Na última terça-feira
(13), um grupo de 40 cientistas publicou
um documento questionando a viabilidade da obra.
O Globo Amazônia entrou em contato com o
Ministério de Minas e Energia para que a pasta se posicionasse
sobre a necessidade da construção da hidrelétrica, mas não
obteve retorno até o fechamento da reportagem.
Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou
ideias para melhorar a proteção da floresta, entre em
contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com
. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se
possível fotos ou vídeos.
Siga o Globo Amazônia no Twitter
Leia mais notícias de Amazônia

O Portal de Notcias da Globo