Uma das últimas sobreviventes do povo indígena akuntsu morreu em
Rondônia. Ururu, que tinha cerca de 85 anos e era a mais velha
do grupo, estava doente e deixou apenas cinco familiares – os
últimos representantes do seu povo, dizimado nas décadas de 1970
e 1980 durante a colonização do estado.
Assista ao vídeo do Profissão Repórter sobre os akuntsus
As informações foram divulgadas nesta
segunda-feira (19) pela ONG inglesa Survival International e
confirmadas pela Funai. “Ela faleceu há três semanas. Estava
doente, tentamos levá-la para a cidade, mas ela preferiu ficar”,
conta Elias Biggio, chefe da Coordenação-Geral de Índios
Isolados da fundação.
Com a morte de Ururu (em primeiro plano), restam apenas cinco índios do povo akuntsu, que vive na reserva Rio Omerê, em Rondônia. (Foto: Fiona Watson-Survival/Divulgação)
Das cinco pessoas que restaram, outra também já está muito
doente. É Konibu, irmão de Ururu e hoje o mais velho da tribo.
Além dele, vivem lá sua esposa, duas filhas e um senhor de mais
de 50 anos, filho adotivo da índia que faleceu.
Caso as duas mulheres mais jovens não tenham
descendentes – a mais nova já tem 25 anos –, os akuntsus
desaparecerão. Segundo Biggio, a Funai não pode estimulá-las a
namorar ou a terem filhos. “São eles [os índios] que têm que
procurar isso.”
Últimos isolados
Os akuntsus são um dos últimos índios isolados contatados pela
Funai. Em 1995, quando foram encontrados, ainda havia sete
membros na tribo. Hoje eles vivem dentro da terra indígena Rio
Omerê, que tem 262 km² e é dividida com os Kanoê.
A história do massacre contra os índios e o
reencontro com o homem branco podem ser vistas no documentário
“Corumbiara”, de Vicent Carelli, que levou o prêmio de melhor
filme no último Festival de Cinema de Gramado.
Mais informações sobre os akuntsus podem ser encontradas no site da Survival.
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