Iniciativa da Secretaria de Agricultura (Sagri) do Pará pretende repovoar a região de Marabá, no sudeste do estado, com a castanheira, árvore ameaçada de extinção e de corte proibido, para reavivar um setor econômico que já tem cerca de 150 anos de história na região.
Semente da castanheira. (Foto: Deathworm/Creative Commons)
Em oficina, técnicos aprendem a cultivar mudas de castanheira. (Foto: Divulgação)
Considerada a “rainha” da floresta por chegar a ter até 60 metros de altura, a castanheira já foi a base da economia extrativista da área, segundo explica o gerente Domingos Roberto. “Nos anos 70 o Amazônia chegou a exportar 70 mil toneladas de castanhas ao ano, e Marabá e os municípios vizinhos eram os maiores contribuintes. Hoje são pouco mais de 20 mil toneladas/ano”, afirma.
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A secretaria retomou a produção de mudas, paralisada há seis
anos, e organizou uma oficina com 45 agricultores e técnicos
para ensinar como plantar a castanheira. A castanha-do Brasil
provém dessa árvore. Suas sementes caem no chão e são recolhidas
para serem secas e descascadas.
Um dos problemas para a população remanescente de
castanheiras em Marabá é justamente a pressão do extrativismo já
que, segundo Roberto, cerca de 90% das castanhas que caem ao
solo são recolhidas, o que diminui a chance de que nasçam novas árvores.
As castanheiras sofreram muito com a expansão da pecuária no sudeste paraense a partir dos anos 80, quando o desmatamento avançou de forma sem precedentes. Além disso, sua madeira é cobiçada – o que fez com que seu corte fosse proibido pelo governo.
O gerente regional da Sagri em Marabá aponta que o cultivo da
castanheira não é fácil. Devido a problemas de má-formação
genética, no máximo 50% das sementes plantadas germinam. Além
disso, é necessário descascar as sementes sem feri-las e
banhá-las com fungicida para impedir que apodreçam. “Também tem
que livrar de insetos e roedores. São muitos inimigos naturais”,
acrescenta Domingos Roberto.
.
A
primeira leva de mudas de castanheira que está sendo produzida
pela Sagri deve ter cerca de 10 mil unidades. “É muito pouco
diante da necessidade. Há 20 anos já chegamos a produzir cem
mil”, aponta o gerente. Sua expectativa é que, com estímulo e
treinamento, agricultores pequenos e médios comecem a produzir
mudas e replantar por contra própria.

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