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20/10/09 - 11h00 - Atualizado em 20/10/09 - 11h00

Região de Marabá (PA) tenta recuperar população de castanheiras

Árvore de corte proibido é considerada a 'rainha da floresta'.
Extrativismo da castanha já foi principal atividade no sudeste paraense.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Iniciativa da Secretaria de Agricultura (Sagri) do Pará pretende repovoar a região de Marabá, no sudeste do estado, com a castanheira, árvore ameaçada de extinção e de corte proibido, para reavivar um setor econômico que já tem cerca de 150 anos de história na região.

 

Foto: Deathworm/Creative Commons

Semente da castanheira. (Foto: Deathworm/Creative Commons)

Em oficina, técnicos aprendem a cultivar mudas de castanheira. (Foto: Divulgação)

Considerada a “rainha” da floresta por chegar a ter até 60 metros de altura, a castanheira já foi a base da economia extrativista da área, segundo explica o gerente Domingos Roberto. “Nos anos 70 o Amazônia chegou a exportar 70 mil toneladas de castanhas ao ano, e Marabá e os municípios vizinhos eram os maiores contribuintes. Hoje são pouco mais de 20 mil toneladas/ano”, afirma.

 

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A secretaria retomou a produção de mudas, paralisada há seis anos, e organizou uma oficina com 45 agricultores e técnicos para ensinar como plantar a castanheira. A castanha-do Brasil provém dessa árvore. Suas sementes caem no chão e são recolhidas para serem secas e descascadas.

Um dos problemas para a população remanescente de castanheiras em Marabá é justamente a pressão do extrativismo já que, segundo Roberto, cerca de 90% das castanhas que caem ao solo são recolhidas, o que diminui a chance de que nasçam novas árvores.

As castanheiras sofreram muito com a expansão da pecuária no sudeste paraense a partir dos anos 80, quando o desmatamento avançou de forma sem precedentes. Além disso, sua madeira é cobiçada – o que fez com que seu corte fosse proibido pelo governo.

 

O gerente regional da Sagri em Marabá aponta que o cultivo da castanheira não é fácil. Devido a problemas de má-formação genética, no máximo 50% das sementes plantadas germinam. Além disso, é necessário descascar as sementes sem feri-las e banhá-las com fungicida para impedir que apodreçam. “Também tem que livrar de insetos e roedores. São muitos inimigos naturais”, acrescenta Domingos Roberto.
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A primeira leva de mudas de castanheira que está sendo produzida pela Sagri deve ter cerca de 10 mil unidades. “É muito pouco diante da necessidade. Há 20 anos já chegamos a produzir cem mil”, aponta o gerente. Sua expectativa é que, com estímulo e treinamento, agricultores pequenos e médios comecem a produzir mudas e replantar por contra própria.

 

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