Organizações ambientalistas receberam mal a informação de que o governo federal pretende adiar o prazo para que os produtores com áreas desmatadas regularizem sua situação ambiental. Para eles, ao dar mais tempo, o governo perde a credibilidade - os proprietários ficam com a ideia de que o prazo sempre será prorrogado. Além disso, acreditam que a questão ficará mais delicada se for tratada em 2010, pois coincidirá com o período de campanha eleitoral.
Área de mata ciliar desmatada recentemente na região do Rio Araguaia. (Foto: Divulgação/Ibama)
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De acordo com o decreto 6.686/2008, os proprietários teriam de
começar a cumprir as exigências ambientais em 11 de dezembro.
Porém, o governo deve colocar uma nova data, 11 de junho, para
os proprietários rurais apresentarem seus planos de cumprimento
da legislação que determina a recomposição das áreas de
preservação (80% de reserva legal na Amazônia, 35% do Cerrado na
Amazônia Legal e 20% no restante do País). Os seis meses de
adiamento valem para quem já foi notificado. Os que ainda não
foram terão três anos para mostrar seus estudos de recomposição
da vegetação.
Segundo Adalberto Veríssimo, pesquisador do
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o
governo comete um grande equívoco ao postergar a data para
regularização. "Houve um boicote generalizado desde o
início. Os proprietários diziam que não adiantaria correr para
regularizar porque o governo mudaria a data", afirmou.
Para Nilo D'Ávila, coordenador de políticas
públicas do Greenpeace, outro problema no adiamento é que a data
coincidirá com a campanha eleitoral. "É o tipo de movimento
de quem não quer resolver a situação. A questão será jogada para
o calor do período, e, na busca por votos, o candidato do
governo pode influenciar o tema", disse.

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