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02/11/09 - 07h05 - Atualizado em 02/11/09 - 07h05

Amazônia absorve menos carbono do que se pensava, diz pesquisa

Cientista aponta falha em equipamentos que medem fluxo de CO2.
Quando há pouco vento na mata, sensores não captam emissão.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O velho bordão de que a Amazônia é o “pulmão do mundo” recebeu mais um golpe. Uma pesquisa realizada pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) revela que a floresta pode estar absorvendo menos gás carbônico do que os cientistas estimavam.

Segundo o estudo, realizado pelo meteorologista Júlio Tota, especialista em clima e meio ambiente, há uma falha nos equipamentos utilizados para medir o fluxo de gás carbônico entre a floresta e a atmosfera. Instalados na altura da copa das árvores, eles medem somente o gás carbônico que é enviado para cima da floresta, deixando de lado o carbono que circula perto do chão, indica a pesquisa.

 

Mais de dez torres de medição de fluxo de gases estão espalhadas pela Amazônia. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)

De acordo com Tota, já se chegou a pensar que a floresta capturava entre quatro a cinco toneladas de carbono por hectare – um campo de futebol – por ano. “Com correções que foram feitas, isso caiu para cerca de duas toneladas, mas esse número pode ser ainda menor”, diz o pesquisador.

Torres

O meteorologista explica que a medida de fluxo de gases de efeito estufa é feita por 1.500 torres instaladas ao redor do mundo. Na Amazônia são mais de dez, das quais ele escolheu duas como alvos de sua pesquisa.

Usando equipamentos cedidos pela Universidade de Nova York, o pesquisador mediu o fluxo de gás carbônico próximo ao chão, e descobriu que havia verdadeiros “rios” de carbono flutuando sob a floresta. Isso aconteceria especialmente à noite, quando há pouco vento e o gás não sobe para a atmosfera, deixando de ser captado pelos equipamentos convencionais. “É o que eu chamo de ‘escoamento horizontal’ de CO2”, afirma Tota. 

 

Reunião sobre o clima

As constatações da pesquisa do Inpa lançam novos problemas para que a reunião da ONU sobre o Clima, que ocorrerá em dezembro na Dinamarca. Sem boas estimativas do fluxo de gases de efeito estufa, acordos sobre emissão de gás carbônico podem ser feitos sobre números cientificamente frágeis.

“Nós, cientistas, ainda não sabemos a melhor forma de medir esse fluxo. A metodologia de medida das torres foi feita para campos agrícolas, e não para terrenos naturais”, explica Tota.

A pesquisa do Inpa faz parte do LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), que é encabeçado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia com a participação de 281 instituições nacionais e estrangeiras.

 

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