O velho bordão de que a Amazônia é o “pulmão do mundo” recebeu
mais um golpe. Uma pesquisa realizada pelo Inpa (Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia) revela que a floresta pode
estar absorvendo menos gás carbônico do que os cientistas
estimavam.
Segundo o estudo, realizado pelo meteorologista
Júlio Tota, especialista em clima e meio ambiente, há uma falha
nos equipamentos utilizados para medir o fluxo de gás carbônico
entre a floresta e a atmosfera. Instalados na altura da copa das
árvores, eles medem somente o gás carbônico que é enviado para
cima da floresta, deixando de lado o carbono que circula perto
do chão, indica a pesquisa.
Mais de dez torres de medição de fluxo de gases estão espalhadas pela Amazônia. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)
De acordo com Tota, já se chegou a pensar que a floresta capturava entre quatro a cinco toneladas de carbono por hectare – um campo de futebol – por ano. “Com correções que foram feitas, isso caiu para cerca de duas toneladas, mas esse número pode ser ainda menor”, diz o pesquisador.
Torres
O meteorologista explica que a medida de fluxo de gases de efeito
estufa é feita por 1.500 torres instaladas ao redor do mundo. Na
Amazônia são mais de dez, das quais ele escolheu duas como alvos
de sua pesquisa.
Usando equipamentos cedidos pela Universidade de
Nova York, o pesquisador mediu o fluxo de gás carbônico próximo
ao chão, e descobriu que havia verdadeiros “rios” de carbono
flutuando sob a floresta. Isso aconteceria especialmente à
noite, quando há pouco vento e o gás não sobe para a atmosfera,
deixando de ser captado pelos equipamentos convencionais. “É o
que eu chamo de ‘escoamento horizontal’ de CO2”, afirma Tota.
saiba mais
Reunião sobre o clima
As constatações da pesquisa do Inpa lançam novos problemas para
que a reunião da ONU sobre o Clima, que ocorrerá em dezembro na
Dinamarca. Sem boas estimativas do fluxo de gases de efeito
estufa, acordos sobre emissão de gás carbônico podem ser feitos
sobre números cientificamente frágeis.
“Nós, cientistas, ainda não sabemos a melhor forma
de medir esse fluxo. A metodologia de medida das torres foi
feita para campos agrícolas, e não para terrenos naturais”,
explica Tota.
A pesquisa do Inpa faz parte do LBA (Programa de
Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), que é
encabeçado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia com a
participação de 281 instituições nacionais e estrangeiras.

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