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06/11/09 - 09h09 - Atualizado em 06/11/09 - 10h51

Sem carro, brigadista do Ibama socorre vítima de incêndio a cavalo

Profissionais são treinados para combater queimadas florestais.
Brigada de incêndio de 27 pessoas trabalhou por dois meses sem carro.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O fogo, descontrolado havia dois dias, já tinha queimado muito mato e agora rodeava uma casa na periferia de Machadinho D’Oeste, em Rondônia. Dentro, uma mulher grávida de sete meses. Tudo parecia perdido quando Luir chegou em seu cavalo, colocou a mulher na garupa e enfrentou o fogo a galopes.

 

Veja as queimadas da floresta em tempo real no mapa do Globo Amazônia .

 

A história não é conto de fadas, e ocorreu em 15 de setembro. Luir Fernandes é um dos 29 brigadistas de incêndio contratados temporariamente pelo Ibama para apagar queimadas na Amazônia. Como sua equipe não tinha carro, ele emprestou um cavalo para ir até a chácara ameaçada pelo fogo.

 

Foto: Prevfogo/Divulgação

Fogo consome pasto em Rondônia. Por falta de carros e receio de fazendeiros em relação ao Ibama, muitos incêndios como esse deixaram de ser combatidos por brigadistas. (Foto: Prevfogo/Divulgação)

 

A casa também foi salva. Seus colegas chegaram logo em seguida, na carroceria de um caminhão também emprestado. Usando uma técnica conhecida como “fogo de encontro”, queimaram o mato que ainda restava em volta da casa, barrando o avanço das chamas.

Sem veículos

Apagar fogo é só um dos problemas que os brigadistas têm que resolver em Machadinho D’oeste. Em julho e agosto – época em que satélites detectaram 71 focos de fogo no município – eles combateram incêndios sem viaturas. As chamadas de emergência eram feitas a um telefone celular pessoal de um dos homens da equipe.

“A prefeitura, sempre que pode, nos ajuda, mas raramente tem carro à disposição. Já teve fazendeiro que lotou ônibus para a gente ir [combater o fogo]”, conta Wagner Pereira, gerente municipal do Prevfogo – o programa do Ibama para o combate de queimadas.

Nessas condições, ir atrás dos focos de queimada identificados por satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) era uma realidade distante. “Atendíamos só as emergências. Não tínhamos nem como sair. Com carro já é difícil, imagina sem carro.”

O veículo que deveria servir à equipe – uma caminhonete – só chegou em setembro. Segundo o coordenador estadual do Prevfogo em Rondônia, Roberto Abreu, a falta de carros foi causada por problemas com a locadora de veículos. “Isso aconteceu em quase todas as brigadas no país”, relata. De acordo com Abreu, apesar das dificuldades houve uma diminuição de 66% nos focos de incêndio em machadinho no período de queimadas entre 2008 e 2009. 

Medo do Ibama

Ainda que machadinho conte com mais de 20 homens treinados para apagar o fogo, são poucos os fazendeiros que pedem ajuda. “Como fazemos parte do Ibama, e as pessoas ficam com medo de serem multadas. Só chamam a gente quando não tem outra saída”, conta Luir, o chefe de brigada que enfrentou labaredas a cavalo.

 

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