Formul�rio de Busca

08/11/09 - 07h00 - Atualizado em 09/11/09 - 17h24

Plantas 'alternativas' podem suprir deficiência de hortaliças no Amazonas

Clima e solo da região são inadequados para cultivos tradicionais.
Espécies nativas têm nutrientes que complementam a alimentação.

Mariana Fontes - Do Globo Amazônia, em São Paulo

Tamanho da letra

Alimentos comuns no dia-a-dia de muitos brasileiros, como a alface, o tomate e a batata inglesa, não costumam fazer parte das refeições no Amazonas. Essas plantas tradicionais, consumidas na maior parte do Brasil, foram trazidas de outros países e se adaptaram bem ao clima e à terra de diversas regiões do país, como o Sul e o Sudeste. No Amazonas, entretanto, elas não obtiveram o mesmo sucesso.

O clima quente e úmido da região amazônica e o solo, ácido e carente em nutrientes, impossibilitam certos cultivos. Além das condições inadequadas para o plantio, os moradores do Amazonas não desenvolveram a tradição de consumir essas hortaliças convencionais.

 

Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal

O feijão-macuco é nativo da Amazônia. (Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal)

“Os povos indígenas desconhecem essas plantas, já que muitas foram trazidas de fora do país. Por isso, a população do Amazonas não se acostumou a comer esses alimentos”, explica o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Valdely Kinupp.

A ausência de certas culturas pode ser compensada por plantas menos conhecidas ao redor do país, as chamadas hortaliças-não convencionais. Muitas dessas hortaliças são nativas da Amazônia e aclimatadas ao clima e ao solo da região. São exemplos de espécies amazônicas a ária (Calathea allouia), feijão-macuco (Pachyrhizus tuberosus), taioba-branca (Xanthosoma sagittifolium) e araruta (Maranta arundinacea). 

 

Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal

A taioba tem alto valor nutricional. (Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal)

Segundo o professor Valdely, as hortaliças não-convencionais amazônicas são fundamentais para complementar a dieta alimentar na região, pois apresentam ainda mais nutrientes que as plantas convencionais.

“O caboclo consome muito amido, presente no arroz, na farinha e no macarrão. As hortaliças não-convencionais são ricas em zinco, manganês, ferro e cálcio, ausentes em boa parte da alimentação regional”, diz.

Outra vantagem das hortaliças alternativas da Amazônia é que elas podem ser plantadas em espaços onde já existem árvores frutíferas, sem a necessidade de desmatar novas áreas. Essa forma de agricultura ajuda, portanto, a desenvolver a economia da região de forma sustentável. O cultivo de hortaliças não-convencionais também é uma maneira de aproveitar a biodiversidade brasileira, segundo Valdely. 

 

Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal

A ária é um exemplo de hortaliça não-convencional. (Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal)

“Se você viaja pelo Brasil, boa parte do que a gente consome vem de fora. Nós falamos em biodiversidade, mas, do ponto de vista alimentício, a gente não cria nossas próprias espécies. A cultura dessas hortaliças alternativas é uma forma de valorizar nossa riqueza nativa”, diz Valdely Kinupp.

Quem quiser conhecer de perto as hortaliças não-convencionais pode visitar o Jardim Botânico Adolpho Ducke, em Manaus. O endereço é Avenida Uirapuru, Bairro Cidade de Deus, Manaus (AM). O parque é aberto de terça-feira a domingo, das 8 às 16 horas.

 

Siga o Globo Amazônia no Twitter.
Leia mais notícias de Amazônia.

Enviar para amigo

Há problemas com o preenchimento do formulário.

A lista dos campos abaixo e assinalados em amarelo contém erro.

  •  

Há problemas com o preenchimento do formulário.

Preencha novamente o campo abaixo com o texto da imagem.

Sucesso!

Sua mensagem foi enviada com sucesso! Clique aqui para enviar uma nova mensagem ao G1.

Formulário de envio para amigo
  • separar os emails por vírgulas

  • limitado em 600 caracteres


últimas notícias de amazônia

  1. TER, 26/01/2010
  2. 20:45 | Amazonia

    Satélite que enxerga através das nuvens é nova arma contra o desmatamento

    Brasil passou a usar as imagens de equipamento japonês. Até então, cobertura de nuvens atrapalhava monitoramento da Amazônia.

  3. SEG, 25/01/2010
  4. 12:23 | Amazonia

    Peixe-boi migra para áreas sem alimento para fugir de predadores, diz estudo

    Cientistas rastrearam mamífero aquático com equipamento de rádio. Animal sai de zona com alimento farto na época de seca.

  5. DOM, 24/01/2010
  6. 07:00 | Amazonia

    Conheça os peixes ornamentais da Amazônia

    PA e AM são os estados que mais exportam peixes de aquário no país. Captura é feita com autorização e movimenta milhões de reais.

  7. SÁB, 23/01/2010
  8. 17:40 | Ciência e Saúde

    Jacarés reconhecem próprio nome, diz aquário

    Essa é uma das primeiras vezes que esse tipo de treinamento é usado em répteis.

» todas as notícias


editorias

G1 especiais

serviços


Formulário de Busca


2000-2010 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade