Um mês antes da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima
(COP-15), em Copenhague, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
decidiu transformar o anúncio do menor índice de desmatamento da
Amazônia nos últimos 21 anos, nesta quinta-feira (12/11), num
grande acontecimento político.
A ministra Dilma Rousseff, pré-candidata à
Presidência, será a mestre de cerimônias do anúncio da boa
notícia. Historicamente, anúncios sobre desmatamento seguiam um
script rotineiro, com os dados divulgados pelo ministro do Meio
Ambiente.
Para a festa foram convidados governadores e
entidades ligadas ao meio ambiente. A senadora Marina Silva
(AC), provável candidata a presidente pelo PV, não foi
convidada.
O Ministério do Meio Ambiente trabalha com o
desmatamento entre 8,5 mil e 9 mil quilômetros quadrados, entre
agosto de 2008 e julho de 2009. O Instituto do Homem e do Meio
Ambiente da Amazônia (Imazon), que também acompanha o
desmatamento da floresta por um sistema de satélites, assim como
o governo, acredita que os números deverão ficar entre 9 mil e
10 mil quilômetros quadrados.
O menor índice foi registrado em 1991, com 11,3 mil quilômetros
quadrados. Nos últimos três anos, o desmatamento ficou entre 11
mil e 12 mil quilômetros quadrados.
No anúncio, Lula e Dilma falarão ainda dos
resultados da Operação Arco Verde, um programa do governo
federal anunciado em junho. Foi num discurso em Alta Floresta,
norte de Mato Grosso, no lançamento do programa, que Lula atacou
os organismos fiscalizadores, dizendo que atrasavam o país, e
afirmou que os pioneiros que haviam seguido para a Amazônia e
desmatado dentro dos programas oferecidos por governos
anteriores jamais poderiam ser chamados de bandidos.
A comandante
Lula anunciará que Dilma será a comandante da
equipe brasileira em Copenhague e que ela vai levar as novidades
do país para ajudar a combater o aquecimento global e a emissão
de gases de efeito estufa. O Brasil terá, de acordo com o
presidente, a proposta mais ousada entre todos os países,
desenvolvidos e em desenvolvimento. Será algo em torno de um
esforço voluntário de 38% a 42% na redução dos gases de efeito
estufa até 2020.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que
perdeu o lugar antes cativo de quem ocupa o cargo nos anúncios
de redução nos índices de desmatamento, disse que não se importa
com isso.
"A ministra Dilma Rousseff é a mais importante dos ministros do presidente Lula. Não tem problema ela anunciar a queda no desmatamento nem comandar a equipe em Copenhague", disse.
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