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14/11/09 - 07h05 - Atualizado em 14/11/09 - 07h05

Cientistas conseguem cultivar cogumelos comestíveis da Amazônia em laboratório

Ideia é aproveitar resíduos madeireiros para a cultura de fungos.
Produção deve ser incentivada como fonte de renda no norte do país.

Mariana Fontes Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Algumas espécies de fungos comestíveis, comuns na culinária oriental, são nativas da floresta amazônica. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) estuda formas de aproveitar resíduos madeireiros e agroindustriais para incentivar o cultivo desses cogumelos no norte do país. Os pesquisadores do Inpa já desenvolveram técnicas para cultivar em laboratório duas espécies: Lentinus strigosus e Pleurotus ostreatus.   

 

Foto: Ceci Sales-Campos/Arquivo Pessoal

A pesquisadora Ceci Sales-Campos trabalha com a espécie de cogumelo comestível Lentinus strigosus em laboratório do Inpa. (Foto: Ceci Sales-Campos/Arquivo Pessoal)

A ideia foi da pesquisadora Ceci Sales-Campos, que estudava formas de preservar a vida útil da madeira, evitando a decomposição por fungos. Em 2002, ela decidiu fazer o caminho inverso e passou a estudar como esses decompositores poderiam ser aproveitados comercialmente. Em função desse estudo, em 2008, foi inaugurado o laboratório de cultivo de cogumelos comestíveis, no Inpa.

Os fungos comestíveis encontrados na Amazônia foram retirados da natureza e submetidos a um processo de domesticação, para sobreviver em laboratório. Os pesquisadores cultivam o cogumelo em substratos de serragem ou resíduos agroindustriais, como o bagaço da cana. 

 

Foto: Ceci Sales-Campos/Arquivo pessoal

A espécie Lentinus strigosus é nativa da Amazônia, mas ainda é pouco conhecida no Brasil. (Foto: Ceci Sales-Campos/Arquivo pessoal)

Segundo Ceci, coordenadora do laboratório, os moradores da região não têm o costume de trabalhar com esses fungos, que são fontes ricas em proteína e minerais como fósforo, potásio, magnésio e ferro.

“Precisamos incentivar o cultivo na região Norte, para mostrar o que temos na Amazônia. Em Manaus existe mercado para esses fungos, mas a população asiática que vive aqui compra os cogumelos do sul do país, sendo que nós temos o produto perto de casa”, diz.

No mundo inteiro, estima-se que existam cerca de 2 mil espécies de cogumelos comestíveis, mas apenas 25 são conhecidas e cultivadas. O Pleurotus ostreatus, pesquisado pelo Inpa, cresce em regiões de clima tropical, como a Amazônia, e em alguns países da Europa e da Ásia. Ele é popularmente chamado de shimeji, hiratake ou cogumelo ostra. Já o Lentinous strigosus ainda é pouco conhecido no Brasil e é mais comum na China e na Índia.

 

Foto: Ceci Sales-Campos/Arquivo pessoal

O Pleurotus ostreatus, também chamado de hiratake, shimeji ou cogumelo ostra, tem elevada taxa de crescimento. (Foto: Ceci Sales-Campos/Arquivo pessoal)

Na pesquisa, financiada pelo CNPq e realizada em parceria com a Unesp, a produção do Pleurotus apresentou o melhor resultado, com taxas de crescimento de 250 a 450 gramas de cogumelo por 1 kg de substrato. Os pesquisadores pretendem capacitar moradores da região a investir no cultivo dos cogumelos amazônicos como fonte de renda na região.

 

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