Um museu com paredes de ar e teto de nuvens. A ideia nasceu na França, mas parece ter sido feita sob medida para o Brasil. O ecomuseu é um espaço a céu aberto, onde as belezas da natureza estão expostas para visitação pública.
Em 2007, foi “construído” o Ecomuseu da Amazônia,
o primeiro da região Norte. Localizado em Belém, no Pará, sua
área abrange o distrito de Icoaraci, estendendo-se até a região
das ilhas Caratateua/Outeiro, Cotijuba e Mosqueiro. A ideia é
que esse espaço se amplie gradualmente, a partir da
identificação da riqueza histórica e cultural de outras comunidades.
Exposição no Museu Goeldi, em Belém, mostra o patrimônio cultural dos povos que vivem na região onde está instalado o Ecomuseu. (Foto: Museu Goeldi/Divulgação)
No Ecomuseu da Amazônia, os moradores da capital paraense participam de atividades de lazer, além de oficinas, onde aprendem a fazer cerâmica, ecojoias e papel reciclado. Tudo é feito ao ar livre. Os interessados em conhecer o trabalho da comunidade e as belezas naturais do município podem visitar os espaços urbanos e rurais onde são realizadas as atividades. Nesses locais, profissionais ou membros da comunidade servem como guias para os visitantes.
“No museu clássico, você tem um prédio, uma
coleção e um público. Já no ecomuseu, você tem um território
aberto, o patrimônio cultural e natural e as comunidades.
As comunidades são o principal público do ecomuseu, porque elas
interagem e participam de sua criação”, diz Maria Terezinha
Resende, educadora ambiental, responsável pela implantação do
Ecomuseu da Amazônia.
O sucesso dessa iniciativa deu origem ao
planejamento de um novo museu sem paredes, no norte do país: o
Ecomuseu do Mangue, localizado na cidade paraense de Curuçá, a
130 quilômetros de Belém.
No momento, uma equipe formada por diversos profissionais, entre
eles turismólogos, artesões e educadores ambientais, trabalha
junto às comunidades da região, a fim de descobrir suas
potencialidades. A princípio, eles identificam quem são as
lideranças da comunidade. Em seguida, é feito um trabalho
conjunto para compreender a realidade daquela região e encontrar
formas de preservar sua memória.
Os ecomuseus do Mangue e da Amazônia também têm o
objetivo de buscar a geração de renda, por meio de projetos
sustentáveis.
“Esse tipo de museu traz um grande benefício para
as comunidades, porque valorizamos suas identidades culturais e
contribuímos para sua educação e desenvolvimento”, diz Maria
Terezinha.
As pessoas envolvidas também são conscientizadas a
respeito da questão ambiental e aprendem, por exemplo, a
importância de manter as praias limpas. Ou seja, ao mesmo tempo
em que os projetos sociais do ecomuseu contribuem para o
bem-estar da comunidade, a comunidade ajuda a conservar as
belezas desse espaço natural. É um museu ao ar livre que tem
estradas de mão dupla.
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