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18/11/09 - 09h40 - Atualizado em 18/11/09 - 10h32

Museu 'sem paredes' começa a ser construído em Curuçá, no Pará

A região Norte já tem um ecomuseu, desde 2007, na cidade de Belém.
O projeto traz geração de renda por meio de atividades sustentáveis.

Mariana Fontes Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um museu com paredes de ar e teto de nuvens. A ideia nasceu na França, mas parece ter sido feita sob medida para o Brasil. O ecomuseu é um espaço a céu aberto, onde as belezas da natureza estão expostas para visitação pública.


Em 2007, foi “construído” o Ecomuseu da Amazônia, o primeiro da região Norte. Localizado em Belém, no Pará, sua área abrange o distrito de Icoaraci, estendendo-se até a região das ilhas Caratateua/Outeiro, Cotijuba e Mosqueiro. A ideia é que esse espaço se amplie gradualmente, a partir da identificação da riqueza histórica e cultural de outras comunidades.

 

Foto: Museu Goeldi/Divulgação

Exposição no Museu Goeldi, em Belém, mostra o patrimônio cultural dos povos que vivem na região onde está instalado o Ecomuseu. (Foto: Museu Goeldi/Divulgação)

No Ecomuseu da Amazônia, os moradores da capital paraense participam de atividades de lazer, além de oficinas, onde aprendem a fazer cerâmica, ecojoias e papel reciclado. Tudo é feito ao ar livre. Os interessados em conhecer o trabalho da comunidade e as belezas naturais do município podem visitar os espaços urbanos e rurais onde são realizadas as atividades. Nesses locais, profissionais ou membros da comunidade servem como guias para os visitantes.


“No museu clássico, você tem um prédio, uma coleção e um público. Já no ecomuseu, você tem um território aberto, o patrimônio cultural e natural e as comunidades. As comunidades são o principal público do ecomuseu, porque elas interagem e participam de sua criação”, diz Maria Terezinha Resende, educadora ambiental, responsável pela implantação do Ecomuseu da Amazônia.

O sucesso dessa iniciativa deu origem ao planejamento de um novo museu sem paredes, no norte do país: o Ecomuseu do Mangue, localizado na cidade paraense de Curuçá, a 130 quilômetros de Belém.

 

 

No momento, uma equipe formada por diversos profissionais, entre eles turismólogos, artesões e educadores ambientais, trabalha junto às comunidades da região, a fim de descobrir suas potencialidades. A princípio, eles identificam quem são as lideranças da comunidade. Em seguida, é feito um trabalho conjunto para compreender a realidade daquela região e encontrar formas de preservar sua memória.

Os ecomuseus do Mangue e da Amazônia também têm o objetivo de buscar a geração de renda, por meio de projetos sustentáveis.

“Esse tipo de museu traz um grande benefício para as comunidades, porque valorizamos suas identidades culturais e contribuímos para sua educação e desenvolvimento”, diz Maria Terezinha.

As pessoas envolvidas também são conscientizadas a respeito da questão ambiental e aprendem, por exemplo, a importância de manter as praias limpas. Ou seja, ao mesmo tempo em que os projetos sociais do ecomuseu contribuem para o bem-estar da comunidade, a comunidade ajuda a conservar as belezas desse espaço natural. É um museu ao ar livre que tem estradas de mão dupla. 

 

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