Um grupo de cientistas publicou uma carta aberta ao presidente
Lula pedindo o cancelamento da reconstrução da rodovia BR-319,
que liga Porto Velho a Manaus. O principal argumento é que a
estrada traria desmatamento para uma das regiões mais
preservadas da Amazônia. “Não existem justificativas econômicas
que suplantem os custos ambientais de conectar o eixo do
desmatamento com o coração florestal da Amazônia”, afirmam.
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A rodovia que liga Porto Velho a Manaus já foi asfaltada, mas hoje metade do caminho está sem condições de tráfego. Cientistas temem que a reforma da estrada leve desmatamento para regiões preservadas da Amazônia. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)
Construída na década de 1970, a BR-319 é a única ligação
rodoviária entre Manaus e o Centro-Sul do país. Apesar de já ter
sido asfaltada, hoje metade de seus 890 km é intransitável para
caminhões e mesmo para alguns carros de passeio. A reforma da
estrada está prevista no PAC (Plano de aceleração do
Crescimento), mas está paralisada por falta de licença
ambiental. Para barrar o possível desmatamento, o governo prevê
a instalação de parques e reservas ao longo do caminho,
transformando o local em uma “estrada parque”.
Segundo a carta divulgada pelos cientistas, a
proteção na beira da estrada pode funcionar, mas a estrada
levaria para Manaus a devastação que hoje ocorre em Rondônia.
“Unidades de conservação [como são chamados tecnicamente os
parques e reservas] podem contribuir para controlar o impacto do
desmatamento em nível local, mas não evitam o deslocamento de
frentes de expansão predatórias”, dizem os especialistas.
Como alternativa à rota da estrada, o grupo sugere
que o Rio Madeira, paralelo à estrada, seja utilizado para o
transporte entre as cidades do extremo norte e o restante do país.
Reforma e preservação
A assessoria de comunicação do Palácio do Planalto declarou que o
presidente dará encaminhamento da carta aos setores
responsáveis, mas adiantou que os trâmites para a reforma da
estrada já estão avançados, e o poder executivo acredita que é
possível aliar o transporte rodoviário à preservação da região.
Os acadêmicos, especialistas em questões
amazônicas, redigiram o documento em uma conferência na
Universidade de Chicago no início do mês, e publicaram a carta
nesta sexta-feira (13). Treze pessoas assinaram a carta, entre
elas a antropóloga Mary Allegretti, ex-Secretária da Amazônia do
Ministério do Meio Ambiente, o biólogo Philip Fearnside, do Inpa
(Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Roberto Smeraldi,
diretor da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e o
ex-governador do Acre, Jorge Viana, do PT.
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