O Maranhão é o estado amazônico que está destruindo sua floresta
com maior velocidade. Entre agosto de 2008 e julho de 2009 o
estado perdeu quase 1% da mata que ainda resta no estado, revela
uma análise do Globo Amazônia feita sobre os focos
de desmatamento detectados pelo Inpe (Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais).
Apesar de ser um estado do Nordeste, o Maranhão já
teve 59% de seu território coberto por floresta amazônica. Hoje,
apenas metade dessa mata permanece em pé, principalmente dentro
de reservas e terras indígenas nas proximidades da divisa com o Pará.
Imagens de satélite mostram a evolução do desmatamento em 20 anos no oeste do Maranhão, divisa com o Pará. (Fotos: Landsat-Inpe/Divulgação)
No último levantamento anual do desmatamento realizado pelo Inpe,
o Maranhão foi o terceiro estado amazônico que mais desmatou.
Foram 980 km² de matas derrubadas, que ficam atrás apenas da
devastação do Pará e Mato Grosso.
Quando se leva em consideração o quanto cada local
tem de floresta, contudo, descobre-se que o estado nordestino é
o lugar onde a Amazônia é destruída com maior velocidade, já que
0,95% de duas matas foram derrubadas em 12 meses. O ritmo é
maior que o dobro do registrado no Pará, que perdeu 0,42% da sua
área de floresta no mesmo período.
Veja, abaixo, como foi o ritmo do desmatamento em
cada unidade da federação:
| Estado | Floresta em ago/2008 (km²) | Desmatamento 2008/2009 (km²) | % da área desmatada 2008/2009 |
| Maranhão | 101.779 | 980 | 0.95% |
| Tocantins | 10.096 | 56 | 0.55% |
| Pará | 879.521 | 3.687 | 0.42% |
| Rondônia | 129.277 | 505 | 0.39% |
| Mato Grosso | 319.342 | 1.047 | 0.33% |
| Acre | 138.379 | 211 | 0.15% |
| Roraima | 153.194 | 116 | 0.08% |
| Amazonas | 1.465.791 | 406 | 0.03% |
| Amapá | 108.781 | - | - |
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Fraudes
No último ano, o Maranhão foi palco de várias fraudes no sistema
que controla as autorizações para corte de madeira. Em setembro,
uma equipe de investigação descobriu que foram
movimentados irregularmente 98 mil caminhões de madeira
no estado. Os técnicos, liderados pelo Ibama, também descobriram
indícios de fraudes em 57% das empresas que movimentam madeira
por meio do sistema de controle eletrônico do estado – o
Sisflora.
O problema fez com que a Secretaria de Meio
Ambiente (Sema) trocasse o programa, optando por usar o sistema
DOF (Documento de Origem Fiscal), controlado pelo governo
federal. Segundo o chefe da Sema, contudo, o novo controle
também já sofreu fraudes. “Depois de dez dias que mudamos para o
sistema federal, ele já foi violentado pelo crime organizado”,
conta Washington Rio Branco. O secretário assumiu a pasta em
abril, quando Roseana Sarney foi empossada governadora após a
cassação de Jackson Lago.
Além das fraudes eletrônicas, o Ministério Público
denunciou um esquema
que envolve uma ex-secretária de Meio Ambiente e outros
dois funcionários. Eles teriam destruído evidências de crimes
ambientais.
Segundo os procuradores, funcionários invadiram o
prédio da Sema, destruíram câmeras de segurança, arrombaram as
portas e roubaram computadores. Uma vigilante que anotou a ação
em um livro contou que recebeu R$ 1.000 para ficar quieta e
sumir com o registro.
Freio na devastação
Ainda que seja o estado em que, proporcionalmente, a devastação ocorre com mais velocidade, o Maranhão tem registrado diminuição nos seus índices de desmatamento, assim como tem ocorrido com outras regiões. Segundo as estatísticas do Inpe, o estado conseguiu baixar de 1.312 km² de matas destruídas entre 2007 e 2008 para 980 km² no período seguinte – uma redução de 25%.
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