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02/12/09 - 18h53 - Atualizado em 02/12/09 - 18h54

Após demissão de diretor, técnicos do Ibama reclamam de sobrecarga

Diretor de licenciamento foi exonerado nesta quarta-feira (2).
Em carta, servidores pedem melhores condições de trabalho.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Funcionários da Diretoria de Licenciamento Ambiental (Dilic) do Ibama estão insatisfeitos com as condições de trabalho. Em carta enviada nesta quarta-feira (2) à secretária executiva do Ministério do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, eles dizem que a sobrecarga de trabalho está provocando uma “evasão grande e crescente” entre os técnicos do departamento.

 

O Dilic é responsável por emitir licenças de grandes obras do governo federal, como as usinas elétricas que estão sendo projetadas para a Amazônia.

A carta foi enviada após a demissão do diretor de licenciamento do Ibama, Sebastião Custódio Pires, e do pedido de exoneração do coordenador-geral de Infraestrutura de Energia Elétrica, Leozildo Tabajara da Silva Benjamin.

A principal reclamação dos servidores é a sobrecarga de trabalho. Segundo eles, há um “gargalo” no licenciamento ambiental federal. “(...) a experiência média da equipe só diminuiu e a demanda no número de empreendimentos aumentou consideravelmente”, dizem os técnicos. 

 

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério do Meio Ambiente informou que ainda não recebeu oficialmente a carta dos funcionários do Dilic. 

Demissão

 

O diretor de licenciamento do Ibama foi exonerado nesta quarta-feira (2) e, segundo o instituto, sua saída foi um ato administrativo. Ele será substituído pelo superintendente do Ibama em Mato Grosso, o geólogo Pedro Alberto Bignelli. O órgão ambiental também divulgou a saída de Benjamin, responsável por analisar licenças ambientais de usinas hidrelétricas, que teria pedido demissão do cargo há cerca de 20 dias.

Ambos os servidores eram responsáveis por analisar a licença para a usina hidrelétrica de Belo Monte, que o governo planeja construir no Rio Xingu, no Pará. A obra está estimada em cerca de R$ 16 bilhões, e é contestada por índios e organizações ambientais. Segundo o instituto, a saída dos funcionários não irá alterar o cronograma de entrega da licença.

 

Ambientalistas x desenvolvimentistas

 

O diretor de licenciamento do Ibama vivia no fogo cruzado entre desenvolvimentistas e ambientalistas. Cabia a ele dar parecer sobre projetos polêmicos, como as usinas no Rio Madeira e a reforma da rodovia Porto Velho – Manaus.

Por um lado, Pires era acusado de frear as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) por causa da demora nas licenças. Por outro, ele e o presidente do instituto já foram até processados pelo Ministério Público Federal, acusados de dar licenciar a usina de Jirau, no Rio madeira, sem a devida análise ambiental.

 

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