Apenas em 2008, cerca de mil caminhões de madeira saíram da
Amazônia rumo a Piracicaba, no interior de São Paulo. A cidade,
de 358 mil habitantes, consumiu nesse ano 11 mil metros cúbicos
de madeira serrada – o equivalente a cerca de 25 mil m³ de
toras, ou 6,6 mil árvores. Os números foram obtidos por uma
pesquisa da ONG Imaflora, que tem sede na cidade.
Para produzir toda essa matéria-prima de forma
sustentável, sem destruir a floresta, o Imaflora calcula que
seriam necessários cerca de 660 km² de mata - o equivalente a
metade do município de Piracicaba.
Operário calcula diâmetro de árvore em área de exploração legal de madeira em Paragominas (PA). A ONG Imaflora sugere que consumidores questionem mais sobre origem da madeira, pressionando lojas a vender produtos retirados de forma controlada da floresta. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)
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A maior parte dessa madeira (68%) foi adquirida pelo consumidor
final para uso na construção civil em telhados, portas e formas.
Uma menor parte (16%) foi consumida por construtoras e o
restante (16%) foi usado por marcenarias e indústrias de
materiais feitos de madeira, como móveis.
Ao contrário do que se imagina, a maior parte da
madeira usada é de baixa qualidade: apesar de ser resistente,
não tem bom acabamento. Segundo o estudo, 69,1% do volume total
era de espécies como cambará, garapeira, cedroarana e cedrinho,
geralmente usados como madeira bruta na construção civil.
Para fazer o levantamento, o Imaflora consultou 71
empresas entre depósitos de madeira, materiais para construção e
indústrias de móveis. A ONG não avaliou se a madeira vendida
tinha origem legal.
Segundo leonardo Sobral, coordenador de certificação do Imaflora, os resultados da pesquisa em Piracicaba não servem como parâmetro para o restante do país, mas podem indicar como é o consumo no estado, já que as cidades do interior de São Paulo têm perfil econômico semelhante entre si.
Consumidor tem que exigir
As empresas ouvidas pelo Imaflora informaram que raramente são
questionadas sobre a origem da madeira que vendem. Por isso, a
ONG pede para que os consumidores comecem a questionar as lojas.
“Na nossa visão, não é necessário diminuir o consumo de madeira,
mas utilizar madeira que venha de fontes sustentáveis”, afirma
Sobral.
Veja, abaixo, algumas dicas deles para que, mesmo
estando em São Paulo, seja possível ajudar a diminuir o
desmatamento ilegal da Amazônia:
| - Exija nota fiscal do produto. |
| - Peça o Documento de Origem Florestal (DOF) ou a Guia Florestal (GF), que comprovam a origem legal da madeira. |
| - Verifique se a empresa tem Cadastro Técnico Federal (CTF). Isso quer dizer que ela é cadastrada junto ao Ibama. |
| - Sempre que possível reutilize a madeira adquirida. |
| - Dê preferência a madeira com a certificação FSC. |
Desmatamentos, queimadas e notícias sobre toda a Amazônia Legal podem ser encontradas no mapa interativo Amazônia.vc, que também permite a internautas protestar contra a destruição da floresta. Saiba como utilizar o mapa .
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