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12/12/09 - 07h05 - Atualizado em 12/12/09 - 07h05

Criminosos incendeiam sítio de pesquisadores do Inpa no AM

Casa de madeira foi completamente destruída.
Caseiro fugiu para a mata e conseguiu escapar.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Doze anos atrás, quando compraram um sítio à beira do Rio Negro, no Amazonas, quatro pesquisadores sonhavam em ter um pequeno pedaço de mata preservada onde pudessem observar plantas e animais.

A ideia se transformou em cinzas na noite do último dia 4, quando a sede do sítio, que fica na zora rural de Iranduba (AM), foi incendiada. Depois de ouvir vozes se aproximando da casa e proferindo ameaças, o empregado que cuidava do sítio fugiu para a mata, e um grupo de quatro pessoas tocou fogo na casa de madeira, que queimou completamente.

 

Foto: Arquivo pessoal

Casa dos pesquisadores queimou até o chão em 4 de dezembro. Eletrodomésticos que estavam na residência não foram levados. No detalhe, a sede do sítio antes do incêndio. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Segundo os proprietários – os quatro donos são cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) –, o incêndio foi o ponto culminante de uma série de intimidações que eles vinham sofrendo ao longo dos últimos meses, já que o terreno faz divisa com um loteamento clandestino.

“Já derrubaram toda a área deles e entraram na nossa área derrubando. Arrancaram as pedras do Incra [que demarca a divisa entre terrenos] e tivemos que pagar topógrafos para repor”, afirma um dos pesquisadores, que prefere não se identificar.

De acordo com ele, a região começou a se agitar após o anúncio da construção de uma ponte sobre o Rio Negro. O empreendimento, que ligará Manaus a Iranduba, valorizou as terras que ficam do lado do outro lado do rio, em frente à orla da capital Amazonense. 

Multas ambientais

Em junho, o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas) fez uma fiscalização no local e multou os responsáveis pelo loteamento em R$ 67,7 mil por desmatamento ilegal e por montar o empreendimento sem licença ambiental.

 


O órgão ambiental informa que tem feito fiscalizações frequentes ao local – a última teria ocorrido em 5 de dezembro –, mas não consegue encontrar os infratores, que se escondem quando percebem a chegada dos agentes.

“(...) por isso, o assunto foi encaminhado ao Ministério Público Estadual e à Delegacia Especializada de Crimes Ambientais visando a instauração dos processos de apuração de responsabilidades penais afetas aos crimes ambientais”, informa nota do Ipam enviada ao Globo Amazônia.

O prefeito de Iranduba, Nonato Lopes (PMDB), afirma que o loteamento não tem autorização do município para funcionar. “Isso é um loteamento ilegal. Nós vamos às ultimas consequências para apurar vigorosamente e mandar colocar na cadeia os responsáveis pelo incêndio.”

Por meio de um telefone público – os números da Polícia Civil de Iranduba não estão funcionando –, o delegado Geraldo Eloi informou que a investigação começou nesta sexta-feira (11), e que ainda não tem maiores detalhes sobre o caso. 

Ameaça comum

Atear fogo em residências é uma tática comum de intimidação usada por grileiros na Amazônia. Pouco antes da morte de Dorothy Stang, casas de lavradores ligados a ela foram incendiadas. No Acre, na época de Chico Mendes, muitos seringueiros foram expulsos da floresta quando suas casas foram queimadas.

 

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias sobre crimes ambientais, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail globoamazonia@globo.com. Não se esqueça de colocar seu nome, telefone e, se possível fotos ou vídeos.

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