Doze anos atrás, quando compraram um sítio à beira do Rio Negro,
no Amazonas, quatro pesquisadores sonhavam em ter um pequeno
pedaço de mata preservada onde pudessem observar plantas e
animais.
A ideia se transformou em cinzas na noite do
último dia 4, quando a sede do sítio, que fica na zora rural
de Iranduba (AM), foi incendiada. Depois de ouvir vozes se
aproximando da casa e proferindo ameaças, o empregado que
cuidava do sítio fugiu para a mata, e um grupo de quatro pessoas
tocou fogo na casa de madeira, que queimou completamente.
Casa dos pesquisadores queimou até o chão em 4 de dezembro. Eletrodomésticos que estavam na residência não foram levados. No detalhe, a sede do sítio antes do incêndio. (Foto: Arquivo pessoal)
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Segundo os proprietários – os quatro donos são cientistas do
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) –, o incêndio
foi o ponto culminante de uma série de intimidações que eles
vinham sofrendo ao longo dos últimos meses, já que o terreno faz
divisa com um loteamento clandestino.
“Já derrubaram toda a área deles e entraram na
nossa área derrubando. Arrancaram as pedras do Incra [que
demarca a divisa entre terrenos] e tivemos que pagar topógrafos
para repor”, afirma um dos pesquisadores, que prefere não se
identificar.
De acordo com ele, a região começou a se agitar
após o anúncio da construção de uma ponte sobre o Rio Negro. O
empreendimento, que ligará Manaus a Iranduba, valorizou as
terras que ficam do lado do outro lado do rio, em frente à orla
da capital Amazonense.
Multas ambientais
Em junho, o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas) fez uma fiscalização no local e multou os responsáveis pelo loteamento em R$ 67,7 mil por desmatamento ilegal e por montar o empreendimento sem licença ambiental.
O órgão ambiental informa que tem feito
fiscalizações frequentes ao local – a última teria ocorrido em 5
de dezembro –, mas não consegue encontrar os infratores, que se
escondem quando percebem a chegada dos agentes.
“(...) por isso, o assunto foi encaminhado ao
Ministério Público Estadual e à Delegacia Especializada de
Crimes Ambientais visando a instauração dos processos de
apuração de responsabilidades penais afetas aos crimes
ambientais”, informa nota do Ipam enviada ao Globo
Amazônia.
O prefeito de Iranduba, Nonato Lopes (PMDB),
afirma que o loteamento não tem autorização do município para
funcionar. “Isso é um loteamento ilegal. Nós vamos às ultimas
consequências para apurar vigorosamente e mandar colocar na
cadeia os responsáveis pelo incêndio.”
Por meio de um telefone público – os números da
Polícia Civil de Iranduba não estão funcionando –, o delegado
Geraldo Eloi informou que a investigação começou nesta
sexta-feira (11), e que ainda não tem maiores detalhes sobre o caso.
Ameaça comum
Atear fogo em residências é uma tática comum de intimidação usada por grileiros na Amazônia. Pouco antes da morte de Dorothy Stang, casas de lavradores ligados a ela foram incendiadas. No Acre, na época de Chico Mendes, muitos seringueiros foram expulsos da floresta quando suas casas foram queimadas.
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crimes ambientais, entre em contato com o Globo Amazônia
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