Gavião recebido pelo Museu Goeldi no fim de 2009. (Foto: Divulgação)
Cercada de rios e florestas, a capital paraense comumente recebe a visita de animais silvestres dos arredores, muitos dos quais acabam sendo capturados ou viram vítimas de maus-tratos. Parte deles acaba indo parar no parque zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, fundado em 1895, um dos mais antigos do país.
O veterinário Messias Costa, que trabalha na
instituição, destaca que muitos moradores ainda levam animais
que encontram pela cidade ao museu, apesar de já não estar
autorizado a recebê-los – este serviço fica a cargo do Ibama
local. “Relutamos em receber, exceto nos finais de semana e
feriados, quando o Ibama não funciona”, explica.
“Belém é uma cidade rodeada por água por quase
todos os lados e tem canais que a cortam”, explica Costa. “Não é
incomum sucuris terem acesso a áreas urbanas ou aves da floresta
em volta visitarem a cidade”. Ele aponta que nas áreas de
desmatamento próximas da capital também não é raro encontrar
mamíferos como preguiças e tamanduás.
O Museu Goeldi atualmente recebe cerca de dez
animais trazidos por moradores a cada mês, muito menos do que
recebia no passado, quando esta atribuição ainda não era do Ibama.
Matá-matá, tartaruga de aspecto pré-histórico levada até a instituição. (Foto: Divulgação)
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Ao todo, metade dos bichos recebidos são aves, muitas delas
aquáticas, como as garças. “Elas chegam apedrejadas ou com
tiros”, explica o veterinário. A maioria não sobrevive. Outros
40% dos animais que chegam ao Goeldi são répteis, principalmente
sucuris, que entram na cidade pelos canais. As cobras igualmente
são alvo de vandalismo, destaca o veterinário. “A cobra ainda
carrega o estigma de ser um animal mau, quando tem um papel
ecológico muito interessante”, comenta. Também chegam quelônios,
como a tartaruga-da-Amazônia. Os 10% restantes, segundo calcula
Costa, são de mamíferos.
O veterinário destaca que são comuns os problemas
relacionados aos animais criados em cativeiro de forma
inadequada. Uma onça que come só carne, por exemplo, não tem
alimentação balanceada e acaba com raquitismo. “Na natureza ela
come as presas inteiras, tem o cálcio dos ossos, as vitaminas do
sangue”, explica.

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