A maior parte dos contaminados consumiu açaí antes de apresentar os sintomas. Se não for bem lavada, a fruta pode carregar o tripanosoma, microorganismo que causa a doença de Chagas. (Foto: Lucivaldo Sena-Agência Pará/Divulgação)
Doze pessoas foram contaminadas pela doença de Chagas em Santa
Isabel do Rio Negro (AM), informa o hospital local. Os dois
primeiros casos foram identificados no último sábado (2), e seis
pessoas chegaram a ser internadas com febre alta, náuseas e
dores no corpo, mas apenas uma segue no hospital e passa bem,
informa a enfermeira Mayse Monteiro, responsável pela área de epidemiologia.
Suspeita-se que as pessoas se
infectaram consumindo açaí contaminado, já que a maioria delas
teria ingerido a fruta antes de apresentar os sintomas. Dos 12
doentes, cinco são da mesma família. “São dez homens e duas
mulheres. Entre ela uma criança de dez anos e um adolescente de
13”, informa Mayse.
Para verificar a causa da contaminação, uma equipe da Secretaria
de Estado de Saúde do Amazonas foi enviada a Santa Isabel. Além
coletarem sangue para exames mais precisos, eles também estão
visitando as casas das pessoas infectadas.
Segundo Mayse, os casos foram descobertos quando
um dos pacientes fez um exame para malária, mas em seu sangue
foram encontradas amostras do microorganismo Tripanossoma
cruzi, causador da doença de Chagas.
Açaí
A contaminação por consumo de açaí ocorre quando o inseto
barbeiro, que carrega o tripanossoma, deposita fezes sobre a
fruta ou acaba sendo moído no momento de tirar a polpa da
semente. Os casos costumam acontecer quando a produção é
artesanal, como em Santa Isabel.
De acordo com o Instituto Evandro Chagas, que tem
pesquisas sobre a doença no Pará, a contaminação pode ser
evitada se as frutas forem bem lavadas e colocadas de molho em
uma solução de água sanitária. Para quem compra açaí
industrializado o risco é menor, já que a pasteurização ou
congelamento da polpa abaixo dos 20°C negativos mata os
microorganismos. Além disso, empresas registradas no Ministério
da Agricultura são obrigadas a seguir padrões mais rígidos de
higiene, informa o instituto.

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