O racionamento de energia da Venezuela, que começou na semana passada, está obrigando os moradores de Roraima a respirarem um ar mais poluído. O estado, que comprava 100 MW de energia do país vizinho e teve 20%do fornecimento cortados, teve que religar uma usina termelétrica movida a diesel.
Usina de Guri, na Venezuela, é a principal fonte de energia de Roraima. Com a falta de chuvas, o país teve que racionar energia e cortou 20% dos 100 MW vendidos ao estado. (Foto: Wikimedia Commons)
O combustível queimado na usina Floresta, que fica em Boa Vista, chega a ser 36 vezes mais poluente do que o utilizado em caminhões. O diesel usado lá tem 1.800 miligramas de enxofre por litro, enquanto o diesel mais limpo da Petrobras, que abastece algumas das grandes cidades brasileiras, tem 50 miligramas.
Além de causar chuva ácida, a o poluição derivada do enxofre pode
prejudicar o sistema respiratório, facilitando a invasão de
vírus e bactérias que atacam o pulmão e as vias aereas.
Segundo a Petrobras, o teor de enxofre do diesel
utilizado para gerar energia em Roraima é o mesmo que o do
combustível usado em outras termelétricas da região Norte, e
estaria de acordo com normas técnicas da Agência Nacional do
Petróleo (ANP).
135 mil litros por dia
De acordo com a Eletronorte, responsável pela usina, a
termelétrica instalada em Boa Vista utiliza, em média, 135 mil
litros de combustível por dia. Para se ter uma ideia do que isso
significa, esse tanto de óleo diesel é suficiente para um ônibus
urbano dar oito voltas completas no planeta Terra, rodando 2,5
km por litro de óleo.
O consumo da usina de Floresta, contudo, pode vir
a ser ainda maior, já que apenas parte da termelétrica foi
ligada. O governo venezuelano prevê que, para fevereiro, um
corte de mais 20 MW na energia fornecida para Roraima, obrigando
o estado a aumentar a geração local.
Usina a álcool
O religamento dos motores em Roraima coincide com a inauguração
da primeira usina do mundo a operar com etanol. Operada
pela Petrobras, a termelétrica de Juiz de Fora, em Minas Gerais,
se alimentava de gás natural e passou a consumir álcool nesta
terça-feira (12).
A conversão, além de diminuir a emissão de gases
geradores de efeito estufa – tanto em relação ao gás natural
quanto ao diesel – abre espaço para que termelétricas possam
utilizar um combustível muito menos perigosos para a saúde
humana do que o diesel queimado para gerar energia na região Norte.
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