Por meio de rastreamento por rádio, cientistas conseguiram
acompanhar a migração sazonal de dez peixes-boi no Amazonas ao
longo de 12 anos e mostraram que, na época de seca, a espécie
muda de habitat para fugir de predadores, ainda que precise
passar fome durante esse período.
Artigo publicado na revista “Journal of Zoology”
mostra que no período de maio a junho, quando há mais chuvas e
os rios amazônicos enchem, os peixes-bois preferem ficar nas
lagoas de várzea, onde encontram mais plantas para comer.
Peixes-boi ficam sem comida para evitar predadores.(Foto: Daniel Jordano-Inpa/Divulgação)
Entre outubro e novembro, no entanto, as águas baixam tanto
nessas lagoas que a espécie fica muito ameaçada pelos seus
predadores – como os jacarés, as onças e os seres humanos. Por
isso, migra para áreas de água mais profundas praticamente sem
vegetação aquática que possa comer, o que o leva a jejuar por
cerca de metade do ano. A pesquisa foi realizada nas Reservas
de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e Amanã, no oeste do Amazonas.
Os autores concluem que o peixe-boi pode estar
mais ameaçado do que se pensava anteriormente, já que a migração
regular e a eventual permanência em áreas de águas rasas em
busca de comida o tornam vulnerável.
Ribeirinhos usam antena para rastrear localização de peixe-boi. (Foto: Divulgação)
A pesquisa é de autoria de Eduardo Arraut, José Eduardo Mantovani, Evlyn Moraes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Miriam Marmontel, do Instituto Mamirauá, David Macdonald, da Universidade de Oxford, e Robert Kenward, do Centro de Ecologia e Hidrologia de Wallingford, no Reino Unido.

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