O monte é mítico na comunidade escaladora do mundo inteiro. (Foto: Divulgação/Marcio Bruno)
Já imaginou ficar 12 dias pendurado na rocha, enfrentando chuva, frio, escorpiões e dormindo em barracas à beira do abismo?
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Eliseu Frechou, Marcio Bruno e Fernando Leal, montanhistas que vivem em São Paulo, encararam um desafio para poucos: resolveram abrir uma nova rota para chegar ao topo do Monte Roraima, no extremo norte do Brasil.
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O monte é mítico na comunidade escaladora do mundo inteiro. É a sétima montanha mais alta do país, com 2.734 metros de altura. Fica na fronteira com a Venezuela e a Guiana, e é um tipo de formação rochosa que parece uma mesa gigantesca esculpida pela erosão, chamada de "tepui", típica da América do Sul.
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No alto existem espécies de plantas e animais que
só vivem ali. Há dois anos, o mau tempo frustrou a primeira
tentativa dos brasileiros. A segunda expedição começou esse ano,
no dia 9 de janeiro. Eliseu, Marcio e Fernando chegaram à base
do paredão de helicóptero. “Uma das características da escalada
de grandes paredes é que ela é lenta. O negócio aqui é comer
pelas beiradas mesmo”, comenta Eliseu.
“Acho que em nenhum lugar eu tive uma sensação tão
grande de estar num lugar remoto, de estar inacessível. Ali não
tem equipe de resgate, a gente não tinha condições de apelar pra
nada que não fossem os nossos próprios recursos”, observa Márcio.
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No quinto dia da subida, a equipe foi surpreendida pela chuva.
Até a chuva passar, eles ficaram amontoados numa barraca
minúscula, num platô estreito, de 1 metro por 4 metros.
“Qualquer lugar que junta três adultos em 4 metros
quadrados... Não dá nem pra você deitar direito, nem pra ficar
de pé direito... Foi uma tortura”, relembra Eliseu.
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Pelo menos nessa ocasião havia um pedaço de chão.
Durante a escalada, os montanhistas chegaram a dormir em
barracas penduradas sobre o precipício.
Mas o pior mesmo foi o frio em plena floresta
amazônica. “A gente teve que enfrentar temperaturas abaixo de
zero grau durante a noite”, conta Márcio.
Quatro dias depois, o tempo melhorou, o que
permitiu recomeçar a subida. “A vontade de chegar no final da
escalada pode te levar a cometer algum erro”, analisa Marcio.
Eles sabem do que estão falando, pois o clima instável no monte
Roraima já provocou uma tragédia. Em 1998, o helicóptero que
levava o ator Danton Mello e a equipe do programa Globo Ecologia
caiu enquanto tentava pousar no topo da montanha. Um técnico de
som morreu.
Mas a expedição de Eliseu, Marcio e Fernando foi
um sucesso. Depois de 12 dias na montanha, finalmente chegaram
ao topo do monte Roraima.

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