saiba mais
Simulação apresentada em artigo na revista Proceedings of the
National Academy of Sciences (PNAS) aponta que a expansão da
produção de etanol e biodiesel pode levar a um aumento das
emissões de carbono no Brasil devido à maior ocupação da região
amazônica.
O processo ocorreria, segundo o estudo, de forma
indireta: as plantações destinadas à produção de biocombustíveis
substituem os pastos que, por sua vez, se expandem sobre as
áreas de floresta. Os cientistas projetam que 121 mil km²
poderiam ser desmatados por causa do processo até 2020. O etanol
seria responsável por metade disso e o biodiesel, pelo restante.
Tratores preparam terra outrora ocupada por floresta para plantio de soja no norte de Mato Grosso. (Foto: Rodrigo Baleia/Greenpeace)
“A maior parte da expansão da cana-de-açúcar no Brasil ocorreu em
terras usadas antes como pasto no Sudeste do país. O mesmo vale
para mais de 90% das plantações de soja na região amazônica após
a moratória (da soja) de 2006”, justifica o estudo.
O estudo aponta ainda que cerca de 290 mil km² de
pastos abertos no país estão abandonados e que, na região
amazônica, há pouco estímulo para a recuperação de áreas
degradadas, problema reforçado pelo caos fundiário. Em muitas
áreas, o gado é criado de forma muito esparsa, apenas para
garantir o direito sobre o terreno.
A pesquisa faz um uma projeção para 2020 e conclui
que o carbono emitido por essa expansão causará emissões de
carbono que levarão 250 anos para serem compensadas pela
substituição de combustíveis fósseis pelo renováveis.
Ainda segundo os autores do artigo da PNAS, uma
intensificação de 0,13 cabeça gado por hectare (10 mil metros
quadrados) na média nacional permitiria que a produção de
biocombustíveis se expandisse sem afetar as florestas. O estudo
concluiu também que o uso do óleo de palmeira no lugar da soja
para a produção de biodiesel levaria a menor impacto nas
emissões de carbono.

O Portal de Notcias da Globo