Em Manaus, no primeiro mês de 2010, a incidência de malária aumentou 106% em relação a janeiro de 2009.
A doença vem se espalhando principalmente nos bairros próximos a áreas de floresta. É na mata que o mosquito encontra o ambiente perfeito para se reproduzir. Casas erguidas perto destes criadouros deixam os moradores mais vulneráveis todo início e fim do dia.
No ano passado, foram mais de 304 mil casos da doença no Brasil -quase todos na Região Norte, onde está concentrada.
De modo geral, o número vem caindo no país. Mas ainda preocupa em
alguns lugares, como a capital amazonense.
Na casa da empregada doméstica Jovelina Neves,
todos já tiveram malária várias vezes: "Sente-se muita dor
de cabeça, dor no corpo, mal-estar. Eu já choro quando sinto os
sintomas. Começo a chorar porque já sei que é malária", conta.
É no começo e no fim do dia que o mosquito pica com mais
frequência. Se o inseto estiver contaminado, passa a malária
adiante. Ao desenvolver a doença, a pessoa contamina um outro
mosquito e dá seguimento ao ciclo de contágio.
Por isso o combate ao mosquito deve ser contínuo.
Mas a dona de casa Vera Lúcia Vieira diz que no ano passado
quase não viu os agentes de saúde em seu bairro: "Eles vão
para a estrada. A malária de lá acalma. Aí começa aqui", relata.
Para a Fundação de Vigilância em Saúde, o aumento
da doença em Manaus está relacionado ao crescimento desordenado
da cidade.
As invasões de terrenos e medidas de controle não
aplicadas na medida certa podem estar propiciando uma maior
população de mosquitos, indica o presidente da Fundação de
Vigilância Sanitária Belarmindo Albuquerque.
Agora, como forma de controlar a malária, serão
colocadas telas em mais de 5 mil casas e distribuídos 70 mil
mosquiteiros. Estão previstos ainda investimentos no diagnóstico
precoce e na borrifação de inseticidas.
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