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A fiscalização federal contra exploração de madeira na Reserva Extrativista Médio Purus, no Sul do Amazonas levou a atrito com políticos e madeireiros locais.
Na última quarta-feira (10), o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade, subordinado ao Ministério do Meio
Ambiente e responsável pela administração das reservas federais,
denunciou que teve seus fiscais expulsos de Lábrea (AM) após
mobilização da população contra sua presença.
O instituto acusa “políticos e madeireiros de
Lábrea, com o apoio da prefeitura local” de insuflarem
“populares contra analistas e fiscais do ICMBio que faziam
operação para evitar derrubada ilegal de árvores na reserva”.
Ainda de acordo com o ICMBio, “um locutor num
carro de som acusava fiscais e analistas de serem ‘forasteiros’
e estimulava as pessoas a hostilizá-los e expulsá-los da cidade,
para que nunca mais voltassem”. Policiais teriam sido chamados
para evitar que o hotel em que estavam fosse invadido.
O instituto vai além e acusa a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Nádia Ferreira, de ter ido a Lábrea e, em vez de apoiar os agentes, se juntar aos locais no coro contra a fiscalização federal.
Repúdio ao ICMBio
O deputado estadual Adjuto Afonso (PP), que esteve em Lábrea com
Nádia Ferreira, apresentou moção de repúdio ao ICMbio pela pela
sua atuação no Amazonas. A iniciativa foi apoiada pelos 24
parlamentares da Casa, segundo sua página oficial na internet.
“Os fiscais do Instituto Chico Mendes estão
deixando apavorados os moradores de Lábrea. Prova disso, foi uma
grande manifestação que eles fizeram na quarta-feira (10) na
praça da cidade pedindo das autoridades providências. Conversei
com eles e me propus, junto com a secretária Nádia Ferreira e o
prefeito Jean Barros irmos a Brasília tentar remediar essa
situação”, disse o deputado, segundo o site da Assembleia
Legistlativa.
“Os representantes do ICMBio recusam-se em
discutir as questões que afligem a classe extrativista. Eles se
negam a dialogar e a prestar esclarecimentos, agindo com extremo
autoritarismo sem considerar as dificuldades naturais impostas
ao homem interiorano, suas peculiaridades de vida e da região,
causando tumulto e indignação generalizada por parte de toda
população labrense”, acrescentou Afonso, ainda de acordo com a
página da AL-AM.
O Globo Amazônia vem solicitando desde
sexta-feira (12) à SDS sua versão sobre a expulsão
dos funcionários do ICMBio, mas não obteve resposta até o
fechamento desta reportagem.
Em entrevista ao portal, o presidente do ICMBio,
Rômulo Mello, disse que “coronéis de barranco” estão incomodados
com a possibilidade de que a Reserva Extrativista Médio Purus
seja explorada somente por aqueles que de fato vivem ali e, por
isso, têm o direito legítimo de se beneficiar da floresta.
“Vamos voltar para lá. Esse tipo de comportamento não vai inibir
o ICMBio de fazer seu trabalho”, avisou.

O Portal de Notcias da Globo