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15/03/10 - 16h51 - Atualizado em 15/03/10 - 16h54

Fiscais ambientais são expulsos de cidade no sul do Amazonas

Assembleia votou moção de repúdio ao Instituto Chico Mendes.
Órgão federal acusa secretária estadual de se alinhar com madeireiros.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A fiscalização federal contra exploração de madeira na Reserva Extrativista Médio Purus, no Sul do Amazonas levou a atrito com políticos e madeireiros locais.

 

Na última quarta-feira (10), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, subordinado ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pela administração das reservas federais, denunciou que teve seus fiscais expulsos de Lábrea (AM) após mobilização da população contra sua presença.

O instituto acusa “políticos e madeireiros de Lábrea, com o apoio da prefeitura local” de insuflarem “populares contra analistas e fiscais do ICMBio que faziam operação para evitar derrubada ilegal de árvores na reserva”.

Ainda de acordo com o ICMBio, “um locutor num carro de som acusava fiscais e analistas de serem ‘forasteiros’ e estimulava as pessoas a hostilizá-los e expulsá-los da cidade, para que nunca mais voltassem”. Policiais teriam sido chamados para evitar que o hotel em que estavam fosse invadido.

 

O instituto vai além e acusa a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Nádia Ferreira, de ter ido a Lábrea e, em vez de apoiar os agentes, se juntar aos locais no coro contra a fiscalização federal.

 

Repúdio ao ICMBio

 

O deputado estadual Adjuto Afonso (PP), que esteve em Lábrea com Nádia Ferreira, apresentou moção de repúdio ao ICMbio pela pela sua atuação no Amazonas. A iniciativa foi apoiada pelos 24 parlamentares da Casa, segundo sua página oficial na internet.

“Os fiscais do Instituto Chico Mendes estão deixando apavorados os moradores de Lábrea. Prova disso, foi uma grande manifestação que eles fizeram na quarta-feira (10) na praça da cidade pedindo das autoridades providências. Conversei com eles e me propus, junto com a secretária Nádia Ferreira e o prefeito Jean Barros irmos a Brasília tentar remediar essa situação”, disse o deputado, segundo o site da Assembleia Legistlativa.

“Os representantes do ICMBio recusam-se em discutir as questões que afligem a classe extrativista. Eles se negam a dialogar e a prestar esclarecimentos, agindo com extremo autoritarismo sem considerar as dificuldades naturais impostas ao homem interiorano, suas peculiaridades de vida e da região, causando tumulto e indignação generalizada por parte de toda população labrense”, acrescentou Afonso, ainda de acordo com a página da AL-AM.

 

O Globo Amazônia vem solicitando desde sexta-feira (12) à SDS  sua versão sobre a expulsão dos funcionários do ICMBio, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

Em entrevista ao portal, o presidente do ICMBio, Rômulo Mello, disse que “coronéis de barranco” estão incomodados com a possibilidade de que a Reserva Extrativista Médio Purus seja explorada somente por aqueles que de fato vivem ali e, por isso,  têm o direito legítimo de se beneficiar da floresta. “Vamos voltar para lá. Esse tipo de comportamento não vai inibir o ICMBio de fazer seu trabalho”, avisou.

 

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