Obra mais antiga é de 1894. (Foto: Divulgação)
Centro de referência em pesquisa sobre a Amazônia, o Museu Paraense Emílio Goeldi, baseado em Belém, no Pará, foi escolhido como uma das sete instituições que terão parte de seu acervo raro digitalizado e publicado na internet. O nome do projeto é tão extenso quanto sua ambição - o Digitalização e Publicação Online de Coleção de Obras Raras Essenciais em Biodiversidade das Bibliotecas Brasileiras pretende disponibilizar ao público cerca de 2 mil livros, mapas e documentos de valor histórico para a comunidade científica até o fim de 2013.
Na prática, internautas poderão ver as páginas de publicações centenárias sobre a Amazônia, algumas das quais guardadas a sete chaves no Museu Goeldi. Hoje, são livros restritos que só podem ser analisados por pesquisadores. Alguns dos mais importantes documentos são os boletins lançados periodicamente pelo museu sobre os trabalhos científicos em andamento, desde o século 19.
Quando a primeiríssima edição deste boletim foi lançada, em 1894, as regras de ortografia eram bem diferentes das atuais. Tanto que o título do "Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, Ano I Tomo I" trocava a letra "f" pelo "ph". Hoje, a publicação tem outro nome: "Boletim de Ciências Naturais do Museu Paraense Emílio Goeldi".
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"O sistema de impressão naquela época também não era como o
de hoje e Emílio Goeldi (Emílio Augusto Goeldi, 1859-1917,
zoólogo suíço que trabalhou no museu e depois deu nome a ele)
chegou a levar algumas obras para serem impressas na
Europa", diz Aldeídes de Oliveira Camarinha, coordenadora
de informação e documentação do museu.
Livros de autoria do próprio Goeldi, como o
"As Aves do Brasil", de 1894 a 1900, também serão
digitalizados. Outros livros selecionados para o projeto são o
"Arboretum Amazonicum" e o "Álbum de
Aves Amazônicas", todos publicados entre 1900 e 1906.
Democratização
"São obras valiosíssimas, com impressão
gráfica rara", explica Maria Astrogilda Ribeiro,
coordenadora do projeto dentro do museu e funcionária do
Ministério da Ciência e Tecnologia. "Vamos democratizar o
uso dessas obras, no Brasil, por meio da Biblioteca Virtual de
Biodiversidade, que está sendo criada dentro do Ministério do
Meio Ambiente."
Segundo Aldeídes, o museu já tem cerca de 22 mil
documentos indexados para consulta digital em base, e ainda não
existe estimativa sobre sua publicação online. As primeiras
obras do Goeldi contempladas pelo novo projeto deverão estar na
rede já em 2011. "O detalhe é que o Goeldi foi a única
instituição fora do eixo Centro-Sul a ser inserida no
projeto", lembra ela.
Unidas ao acervo contemplado pelo projeto, as
obras do Goeldi integrarão a Scientific Electronic Library
Online (SciELO), parte da Biodiversity Heritage Library, um
consórcio internacional de instituições de pesquisa que
pretende digitalizar todas as obras relacionadas à
biodiversidade no mundo, principalmente as mais antigas.
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Imagem do primeiro boletim editado pelo Goeldi, inspirada na floresta. (Foto: Divulgação)
No Brasil, o projeto é coordenado pelo Centro Latino-Americano e
do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) e pelo
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), e ainda
recebe apoio do Ministério do Meio Ambiente.
Além do Goeldi, também serão contempladas pelo
projeto as seguintes entidades: Biblioteca do Instituto de
Biociências da USP, Instituto de Botânica do Estadão de São
Paulo, Instituto Oswaldo Cruz, Jardim Botânico do Rio de
Janeiro, Biblioteca do Ministério de Planejamento, Biblioteca do
Museu Nacional do Rio de Janeiro e Biblioteca de Zoologia da USP.

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