Em cerimônia oficial realizada nesta quarta-feira (31) em Brasília, o ministro Carlos Minc deixa o cargo na pasta de Meio Ambiente para se concentrar nas eleições que ocorrem em outubro. Candidato a uma vaga como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, ele será substituído por Izabella Teixeira, que fez carreira no Ibama e é secretária-executiva do ministério.
Outros nove ministros também deixam o cargo para concorrer às eleições de 2010. No discurso de despedida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a atuação de Carlos Minc no processo de liberação para a construção da futura usina hidrelétrica de Belo Monte, que vai represar parte do Rio Xingu (PA).
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A maior floresta tropical do mundo representou uma
das principais frentes de trabalho da pasta na gestão de Minc.
Na semana passada, na quarta-feira (24), foi aprovado
o projeto de Macrozoneamento Econômico e Ecológico da
Amazônia, que preserva obras do Plano de Aceleração do
Crescimento (PAC), mas impõe restrições ao agronegócio na região.
Na sexta-feira (26), Minc conversou com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre possíveis doações de novos 12 países ao Fundo Amazônia.
Combate ao desmatamento foi uma das principais preocupações da gestão de Minc no ministério. Em fevereiro, ele disse que o corte ilegal estava controlado pela primeira vez no país. (Foto: Agência Brasil)
A luta contra o desmatamento também foi destaque entre as ações do ministério sobre a Amazônia. Em fevereiro passado, Minc disse que o corte ilegal na floresta estava em controle pela primeira vez no país. Mesmo assim, entre agosto de 2008 e julho de 2009, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a floresta perdeu 7.008 km², a menor taxa anual desde quando começaram as medições, em 1988. Em outubro e novembro do ano passado, 247,6 km² foram desmatados.
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Durante a gestão de Minc, o governo consegui reverter a situação de alguns do municípios que mais ameaçavam a floresta. Paragominas (PA), por exemplo, patrocinou uma reviravolta ambiental e deixou a lista negra do desmatamento, em que ocupava o primeiro lugar. Segundo informou o ministro há cerca de uma semana, dos 43 municípios que compõem a lista (a maioria no Pará e em Mato Grosso), 30 reduziram o desmatamento em mais de 54% em 2009, comparado ao ano anterior. Apesar disso, um relatório divulgado pela FAO, agência da ONU para agricultura e alimentação, aponta que o Brasil ainda registra os maiores índices de desmatamento do mundo.
Conferência do Clima
O compromisso internacional do Brasil em preservar a floresta amazônica foi anunciado pelo governo durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorreu em dezembro passado, em Copenhague, na Dinamarca.
O país se comprometeu a reduzir entre 36,1% e 38,9% as emissões projetadas para 2020. As principais medidas para alcançar a meta se concentram na atividade agropecuária, na indústria de energia e siderurgia e no combate ao desmatamento.
Belo Monte
Antes de deixar o ministério, Minc ainda aprovou,
em fevereiro, a licença
prévia para a construção da hidrelétrica de Belo Monte,
na região de Altamira, na Amazônia paraense. A obra, cujo
orçamento é de R$ 20 bilhões, foi descrita por Minc como a maior
e mais polêmica das previstas no PAC. Tanto que a construtora
responsável pela obra terá de cumprir 40 exigências de ações
socioambientais, orçadas em cerca de R$ 1,5 bilhão.
Nova ministra
Nascida em Brasília, a bióloga Izabella Teixeira
subsitui Carlos Minc e assume a liderança na pasta de Meio
Ambiente. Atual secretária-executiva do ministério, ela fez
carreira no Ibama, onde começou a trabalhar em 1984. Izabella
também foi subsecretária de Estado do Meio Ambiente no Rio de
Janeiro, entre 2007 e 2008.

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