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31/03/10 - 15h49 - Atualizado em 31/03/10 - 17h12

Carlos Minc deixa ministério com menor taxa de desmatamento da história

Governo conseguiu reverter situação de cidades na lista negra do corte.
Mas, segundo dados da ONU, país ainda é o maior desmatador do mundo.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Em cerimônia oficial realizada nesta quarta-feira (31) em Brasília, o ministro Carlos Minc deixa o cargo na pasta de Meio Ambiente para se concentrar nas eleições que ocorrem em outubro. Candidato a uma vaga como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, ele será substituído por Izabella Teixeira, que fez carreira no Ibama e é secretária-executiva do ministério.

 

Outros nove ministros também deixam o cargo para concorrer às eleições de 2010. No discurso de despedida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a atuação de Carlos Minc no processo de liberação para a construção da futura usina hidrelétrica de Belo Monte, que vai represar parte do Rio Xingu (PA).

 

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A maior floresta tropical do mundo representou uma das principais frentes de trabalho da pasta na gestão de Minc. Na semana passada, na quarta-feira (24), foi aprovado o projeto de Macrozoneamento Econômico e Ecológico da Amazônia, que preserva obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), mas impõe restrições ao agronegócio na região.

 

Na sexta-feira (26), Minc conversou com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre possíveis doações de novos 12 países ao Fundo Amazônia

 

Foto: Agência Brasil

Combate ao desmatamento foi uma das principais preocupações da gestão de Minc no ministério. Em fevereiro, ele disse que o corte ilegal estava controlado pela primeira vez no país. (Foto: Agência Brasil)

A luta contra o desmatamento também foi destaque entre as ações do ministério sobre a Amazônia. Em fevereiro passado, Minc disse que o corte ilegal na floresta estava em controle pela primeira vez no país. Mesmo assim, entre agosto de 2008 e julho de 2009, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a floresta perdeu 7.008 km², a menor taxa anual desde quando começaram as medições, em 1988. Em outubro e novembro do ano passado, 247,6 km² foram desmatados.

 

Durante a gestão de Minc, o governo consegui reverter a situação de alguns do municípios que mais ameaçavam a floresta. Paragominas (PA), por exemplo, patrocinou uma reviravolta ambiental e deixou a lista negra do desmatamento, em que ocupava o primeiro lugar. Segundo informou o ministro há cerca de uma semana, dos 43 municípios que compõem a lista (a maioria no Pará e em Mato Grosso), 30 reduziram o desmatamento em mais de 54% em 2009, comparado ao ano anterior. Apesar disso, um relatório divulgado pela FAO, agência da ONU para agricultura e alimentação, aponta que o Brasil ainda registra os maiores índices de desmatamento do mundo.

 

Conferência do Clima

 

O compromisso internacional do Brasil em preservar a floresta amazônica foi anunciado pelo governo durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorreu em dezembro passado, em Copenhague, na Dinamarca.

 

O país se comprometeu a reduzir entre 36,1% e 38,9% as emissões projetadas para 2020. As principais medidas para alcançar a meta se concentram na atividade agropecuária, na indústria de energia e siderurgia e no combate ao desmatamento.

 

Belo Monte

 
Antes de deixar o ministério, Minc ainda aprovou, em fevereiro, a licença prévia para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, na região de Altamira, na Amazônia paraense. A obra, cujo orçamento é de R$ 20 bilhões, foi descrita por Minc como a maior e mais polêmica das previstas no PAC. Tanto que a construtora responsável pela obra terá de cumprir 40 exigências de ações socioambientais, orçadas em cerca de R$ 1,5 bilhão.

 

Nova ministra


Nascida em Brasília, a bióloga Izabella Teixeira subsitui Carlos Minc e assume a liderança na pasta de Meio Ambiente. Atual secretária-executiva do ministério, ela fez carreira no Ibama, onde começou a trabalhar em 1984. Izabella também foi subsecretária de Estado do Meio Ambiente no Rio de Janeiro, entre 2007 e 2008.

 

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