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12/04/10 - 21h36 - Atualizado em 13/04/10 - 15h46

Tailândia, no Pará, segue com ilegalidade no setor madeireiro

Metade do município já foi desmatada, mostra o Jornal Nacional.
Reportagem de série especial mostra tentativa de legalização.

Do Globo Amazônia, com informações do Jornal Nacional

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Tailândia, no Pará, é o epicentro do corte de árvores da floresta amazônica: 38 serrarias formam a base econômica da cidade. O município fica no chamado Arco do Desmatamento, a área de concentração de estradas abertas nas margens da floresta que permitem sua exploração.

 

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O Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em Belém, usa imagens de satélite para seguir os caminhos das madeireiras, os veios do avanço sobre a mata. A exploração ilegal da madeira é a primeira fase da destruição. “Depois vem o desmatamento para abertura de pastos e áreas agrícolas. Ou seja, é o começo de tudo”, explica o pesquisador do Imazon, Carlos Souza Júnior.


Por isso, Tailândia foi o principal alvo da Operação Arco de Fogo, feita pelo governo federal há dois anos para combater o desmatamento ilegal. É uma cidade nova que cresceu rapidamente e tem 70 mil habitantes.

Trinta anos atrás, o local era uma grande floresta. Tailândia surgiu de um projeto de colonização que atraiu brasileiros que foram de longe para produzir alimentos. Só que era preciso derrubar a floresta. Como a produção não foi para frente, por falta de ajuda financeira e tecnológica, o que sobrou foi o ganho fácil do comércio da madeira. Hoje metade da área do município está devastada. 

Parte da madeira é queimada em carvoarias clandestinas. Seus trabalhadores são a prova de que o desmatamento só traz riqueza para muito poucos. Um deles conta por que saiu do Maranhão para ganhar lá R$ 420 por mês: “É porque não tenho condições de dar a comer pra minha família de outro jeito e o emprego aqui é desse jeito. Sem carteira, sem nada. Fiscalização aqui nessas carvoeiras não tem. Fiscalização das condições de trabalho essa é que é pior. Não tem mesmo de jeito nenhum”.

 

Fraudes


A ilegalidade ainda é forte no setor madeireiro. As operações policiais diminuíram o comércio clandestino, mas não acabaram com as fraudes nas guias de comercialização, como comprovou o Ministério Público Federal.

“A maior parte da madeira ilegal é transportada com guia dando toda a aparência de que ela vem de uma origem legal”, explica o procurador federal Bruno Valente.
O sindicato dos madeireiros de Tailândia fala em corrupção. Acusa fiscais da Secretaria do Meio ambiente de pressionar quem quer trabalhar legalmente.

“Enrolam tanto e cobram tanto documento. Procuram dificultar o máximo possível pra poder extorquir”, disse o presidente do Sindicato da Indústria Madeireira de Tailândia, João Medeiros.

E cair na ilegalidade é pior ainda: “A ilegalidade hoje é muito cara porque quem trabalha na ilegalidade tem que dividir o seu lucro ou talvez 90% do seu lucro com os fiscais, com o sistema de fiscalização”, afirmou João Medeiros. 

 

'Indícios de corrupção'



O Secretário do Meio Ambiente do Pará, Aníbal Picanço, admite que há indícios de corrupção. “Olha, em todos os processos que estamos fazendo levantamento há indícios de envolvimento tanto de terceiros, de fora do órgão, como de dentro. Há indícios de envolvimento de corrupção”.

Empresários que tentam trabalhar honestamente sofrem com a concorrência desleal dos ilegais. O madeireiro Ademir Bortolanza pertence ao grupo crescente de empresários que paga todos os impostos e que só tira madeira de áreas permitidas.

“É importante trabalhar legalmente porque você mantém a floresta, você mantém a legalidade de tudo. Quem ganha com isso somos todos nós. Nós ganhamos porque nós estamos aqui produzindo. O país ganha porque tem a rentabilidade dele e o meio ambiente também ganha”, declarou.

Assim como empresários, há também cidades inteiras buscando a legalidade. Paragominas, no Pará, entrou na lista dos municípios que mais desmatam na Amazônia. A reação foi um programa de desmatamento zero, feito com satélites que identificam os focos de corte. O prefeito Adnan Demachki é da segunda geração de moradores da cidade e quer evitar os erros dos pioneiros.

“Naquela época, era regra do Governo Federal: devastar, derrubar. Você tinha que confirmar sua posse da área, pra confirmar, ninguém tinha posse de floresta, tinha posse de uma área aberta, então você derrubava metade da floresta”, lembra.

Mas o que fazer com as áreas já desmatadas? O ex-madeireiro Massao Ozaki deixou de cortar e passou a plantar árvores. Investiu em um reflorestamento de dendê, não para fazer apenas o famoso azeite da moqueca baiana, mas para a produção de óleo refinado usado na fabricação de biscoitos, macarrão, corantes, sabão, biodiesel.

“Vou ter continuidade por 10, 15, 20, 30 anos. Não preciso derrubar mais nada. Vou viver da mesma área com meu produto de dendê sem devastar mais nada. Isso dá uma satisfação grande de morar aqui na Amazônia. De poder falar: ‘eu trabalho numa agricultura sustentável’ e cuidar da minha família e ajudar esse povo a cuidar aqui dessa região”, contou.

 

O Jornal Nacional apresenta uma série especial sobre  a exploração econômica da floresta amazônica. Novo episódio nesta terça-feira (13).

 

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