Tailândia, no Pará, é o epicentro do corte de árvores da floresta amazônica: 38 serrarias formam a base econômica da cidade. O município fica no chamado Arco do Desmatamento, a área de concentração de estradas abertas nas margens da floresta que permitem sua exploração.
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O Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia), em Belém, usa imagens de satélite para seguir os
caminhos das madeireiras, os veios do avanço sobre a mata. A
exploração ilegal da madeira é a primeira fase da destruição.
“Depois vem o desmatamento para abertura de pastos e áreas
agrícolas. Ou seja, é o começo de tudo”, explica o pesquisador
do Imazon, Carlos Souza Júnior.
Por isso, Tailândia foi o principal alvo da
Operação Arco de Fogo, feita pelo governo federal há dois anos
para combater o desmatamento ilegal. É uma cidade nova que
cresceu rapidamente e tem 70 mil habitantes.
Trinta anos atrás, o local era uma grande
floresta. Tailândia surgiu de um projeto de colonização que
atraiu brasileiros que foram de longe para produzir alimentos.
Só que era preciso derrubar a floresta. Como a produção não foi
para frente, por falta de ajuda financeira e tecnológica, o que
sobrou foi o ganho fácil do comércio da madeira. Hoje metade da
área do município está devastada.
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Parte da madeira é queimada em carvoarias clandestinas. Seus trabalhadores são a prova de que o desmatamento só traz riqueza para muito poucos. Um deles conta por que saiu do Maranhão para ganhar lá R$ 420 por mês: “É porque não tenho condições de dar a comer pra minha família de outro jeito e o emprego aqui é desse jeito. Sem carteira, sem nada. Fiscalização aqui nessas carvoeiras não tem. Fiscalização das condições de trabalho essa é que é pior. Não tem mesmo de jeito nenhum”.
Fraudes
A ilegalidade ainda é forte no setor madeireiro.
As operações policiais diminuíram o comércio clandestino, mas
não acabaram com as fraudes nas guias de comercialização, como
comprovou o Ministério Público Federal.
“A maior parte da madeira ilegal é transportada
com guia dando toda a aparência de que ela vem de uma origem
legal”, explica o procurador federal Bruno Valente.
O sindicato dos madeireiros de Tailândia fala em corrupção.
Acusa fiscais da Secretaria do Meio ambiente de pressionar quem
quer trabalhar legalmente.
“Enrolam tanto e cobram tanto documento. Procuram
dificultar o máximo possível pra poder extorquir”, disse o
presidente do Sindicato da Indústria Madeireira de Tailândia,
João Medeiros.
E cair na ilegalidade é pior ainda: “A ilegalidade
hoje é muito cara porque quem trabalha na ilegalidade tem que
dividir o seu lucro ou talvez 90% do seu lucro com os fiscais,
com o sistema de fiscalização”, afirmou João Medeiros.
'Indícios de corrupção'
O Secretário do Meio Ambiente do Pará, Aníbal
Picanço, admite que há indícios de corrupção. “Olha, em todos os
processos que estamos fazendo levantamento há indícios de
envolvimento tanto de terceiros, de fora do órgão, como de
dentro. Há indícios de envolvimento de corrupção”.
Empresários que tentam trabalhar honestamente
sofrem com a concorrência desleal dos ilegais. O madeireiro
Ademir Bortolanza pertence ao grupo crescente de empresários que
paga todos os impostos e que só tira madeira de áreas
permitidas.
“É importante trabalhar legalmente porque você
mantém a floresta, você mantém a legalidade de tudo. Quem ganha
com isso somos todos nós. Nós ganhamos porque nós estamos aqui
produzindo. O país ganha porque tem a rentabilidade dele e o
meio ambiente também ganha”, declarou.
Assim como empresários, há também cidades inteiras
buscando a legalidade. Paragominas, no Pará, entrou na lista dos
municípios que mais desmatam na Amazônia. A reação foi um
programa de desmatamento zero, feito com satélites que
identificam os focos de corte. O prefeito Adnan Demachki é da
segunda geração de moradores da cidade e quer evitar os erros
dos pioneiros.
“Naquela época, era regra do Governo Federal:
devastar, derrubar. Você tinha que confirmar sua posse da área,
pra confirmar, ninguém tinha posse de floresta, tinha posse de
uma área aberta, então você derrubava metade da floresta”,
lembra.
Mas o que fazer com as áreas já desmatadas? O
ex-madeireiro Massao Ozaki deixou de cortar e passou a plantar
árvores. Investiu em um reflorestamento de dendê, não para fazer
apenas o famoso azeite da moqueca baiana, mas para a produção de
óleo refinado usado na fabricação de biscoitos, macarrão,
corantes, sabão, biodiesel.
“Vou ter continuidade por 10, 15, 20, 30 anos. Não
preciso derrubar mais nada. Vou viver da mesma área com meu
produto de dendê sem devastar mais nada. Isso dá uma satisfação
grande de morar aqui na Amazônia. De poder falar: ‘eu trabalho
numa agricultura sustentável’ e cuidar da minha família e ajudar
esse povo a cuidar aqui dessa região”, contou.
O Jornal Nacional apresenta uma série especial sobre a exploração econômica da floresta amazônica. Novo episódio nesta terça-feira (13).

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