Em busca de árvores boas para corte, um grupo de mateiros entra em uma floresta no Pará. O técnico florestal Nonato Santos identifica uma maçaranduba centenária, mas ela é rejeitada porque ainda pode crescer mais. Então, um breu vermelho de 25 metros de altura vai ao chão.
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O operador da moto-serra, Ediseu Chaves de Araújo, consegue derrubar o tronco sem quebrar nenhum cipó. Na fazenda em que a árvore foi cortada, pratica-se uma forma ecológica de exploração da madeira, o manejo florestal, que consiste na retirada de poucas árvores em um ciclo de vários anos. "Nós tiramos um determinado número de árvores e deixamos outras espalhando sementes durante todo o ciclo", explica o engenheiro florestal Evandro Ribeira Ferreira.
Seguindo as diretrizes do manejo florestal, a parte que sofreu corte é intocada por, em média, 35 anos. De acordo com alguns estudos, este é o período em que a floresta pode se recuperar. Usando um sistema de rodízio, cortando poucas árvores por ano, o madeireiro consegue explorar a madeira indefinidamente e com a floresta em pé.
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No Pará, existem mais de 350 projetos de manejo
licenciados. Mas a demora para as licenças pode atrapalhar o
início de outros. "Quando você vai pedir uma licença, você
não é atendido. Temos licenças que estamos esperando há mais de
um ano", diz Manuel Pereira Dias, vice-presidente da Cikel,
que trabalha com manejo na região.
Outro problema recorrente é a fraude. Estima-se que quatro a cada
dez projetos foram aprovados de maneira irregular. Com isso, a
madeira legal brasileira perde mercado. "Como o índice de
fraude é alto, muitos importadores da Europa e dos Estados
Unidos passam a desconfiar de documentos oficiais. A ilegalidade
sempre vai existir, mas ela nunca pode ser a maioria, sob pena
de sucumbirem e asfixiarem as empresas corretas",
diz Justiniano de Queiroz Netto, diretor executivo da Associação
das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará.
O ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc já
falava em "intensificar tanto a produção da madeira legal
como o combate à produção de madeira pirata em planos de manejo
fraudados, muitas vezes com cumplicidade de autoridades."
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Projetos
Um outro projeto de manejo em Anapu, no Pará, fica em um assentamento do Incra, e mostra que a exploração racional da madeira pode melhorar a vida dos agricultores pobres da Amazônia. "Com esse projeto de manejo, que a gente conseguiu com muito trabalho, nossa vida melhor cem por cento", diz o assentado Antonio Hélio da Costa Monjardim.
As roças ocupam apenas 20% da área. O restante é reservado para a exploração da madeira. Com a venda das toras, as 180 famílias do assentamento puderam comprar um caminhão, um trator e construíram estradas. "Quando não existia manejo, não existia estrada. Agora podemos explorar, produzir o abacaxi, farinha e levar no caminhão. Além do arroz e do milho", diz outro assentado, Francisco Lima Souza.
Dorothy Stang
Houve diversos conflitos para este projeto ser implantado em Anapu. A disputa por terras públicas na Amazônia é um processo violento. Inspiradora da ideia, a irmã Dorothy Stang foi assassinada nessa mesma cidade em 12 de fevereiro de 2005. "A irmã 'Doti' falava sempre isso, para não derrubar a madeira toda", diz Pedro Nonato de Souza, também assentado na região.
O Jornal Nacional apresenta uma série especial sobre a exploração econômica da floresta amazônica. Novo episódio nesta quarta-feira (14).

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