Documentários gravados em aldeias indígenas são exibidos nesta semana no Acre. Em Rio Branco, são vistas mais de 70 obras sobre o cotidiano das comunidades de várias regiões. Os filmes foram gravados pelos próprios índios.
Em um dos documentários, a comunidade xavante, de
Mato Grosso, realiza a iniciação espiritual de jovens índios. No
início, havia uma grande resistência dos índios por causa do
medo das câmeras filmadoras. “O pessoal acredita que elas roubam
a alma. Então, no início, teve uma preparação. É importante
registrar”, diz Caimi Xavante, cineasta indígena. Superado o
medo, o resultado é visto em belas imagens que retratam a
cultura dos povos.
Bebito Pianko é outro indígena que produz filmes há mais de dez anos. Ele é da comunidade Ashaninka, do Acre. Manusear a câmera virou tarefa fácil. O último filme dele mostra o trabalho da comunidade para recuperar os recursos naturais da floresta amazônica. “Não é apenas para o financeiro. É mais para que as pessoas entendam quem somos e nossa preocupação com o território”, diz ele.
As cenas da vida real das aldeias ganham as telas em exibições
públicas que ultrapassaram as fronteiras. Os vídeos exibidos em
Rio Branco foram vistos em mais de 20 países, como os Estados
Unidos, Canadá, França e até no Japão. Em uma plateia
com crianças, os filmes despertam o interesse pela preservação
da cultura e também do meio ambiente.
“São filmes que estão sendo reconhecidos como um
novo olhar sobre a realidade indígena. A visibilidade nacional é
muito importante para os índios”, diz Vicente Carelli,
organizador da mostra.

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