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29/05/10 - 06h45 - Atualizado em 29/05/10 - 13h02

Abandonado, cemitério indígena de mais de 700 anos acaba destruído em Manaus

Sítio foi descoberto por causa de obra para conjunto habitacional.
Local possuía mais de 200 vasos funerários, mas erosão levou a maioria.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em Manaus

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Um cemitério indígena de mais de 700 anos, no norte de Manaus, no Amazonas, está praticamente destruído após ter sido desenterrado por máquinas durante a construção de um conjunto habitacional.

 

Foto: Dennis Barbosa/ Globo Amazônia

A erosão abriu grandes vossorocas na área do cemitério e praticamente arruinou o sítio arqueológico. (Foto: Dennis Barbosa/ Globo Amazônia)

O sítio arqueológico se encontra no bairro Nova Cidade. Urnas funerárias de cerâmica apareceram durante trabalhos de terraplanagem em 2001, e a área foi interditada. Na época, cerca de 200 vasos funerários foram mapeados, e 13 deles exumados, segundo informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

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Morador da região, o leitor do Globo Amazônia Sócrates Paiva, inconformado com a destruição do patrimônio histórico, resolveu enviar mensagem ao portal denunciando a situação. “Está totalmente abandonado, à mercê de vândalos”, diz ele. “Quero saber se dessa vez será feita alguma coisa”.

 

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Como a camada superior de terra foi removida do local, a erosão e o acesso de curiosos tratou de destruir a maioria das peças ainda enterradas. “Entre 2001 e 2004, 140 recipientes foram perdidos pela erosão”, cita Francisco Pugliese, arqueólogo do Iphan.

 

Borda de urna funerária indica que o terreno já foi um cemitério indígena. (Foto: Dennis Barbosa/ Globo Amazônia)

Proprietária da área e responsável pela obra, a Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) do Amazonas informa que o caso está parado na Justiça desde 2004.

A arqueóloga Helena Lima, que explorou o cemitério no contexto do Projeto Amazônia Central, um programa de estudo da região, só não dá o local como totalmente perdido porque ainda poderia servir para que os cientistas estudem os efeitos que a retirada da camada superior de terra pode causar a sítios como este. “Temos que pensar em como compensar a população de Manaus, trazer informações sobre a história, a cultura”, lamenta. Existe a proposta de criar um centro comunitário no local.

 

A pesquisadora nota que o sítio é único porque se encontra em terra firme: “É muito relevante porque normalmente os grandes sítios se encontram em lugares adjacentes aos grandes cursos d’água”. 

O sítio do bairro Nova Cidade não passou por datação absoluta com a
técnica do carbono 14, mas sabe-se que ele existe há mais de 700 anos porque as cerâmicas ali encontradas são de estilo conhecido pelos historiadores como “Paredão”, que corresponde ao período entre os séculos 7 e 13. Ou seja, antes da chegada dos europeus ao Brasil, que se iniciou no século 16.


Abandonado, o cemitério causa preocupação aos moradores das cercanias, mas não por qualquer razão mística ou sobrenatural. Segundo relatos de vizinhos, o local serve de esconderijo para ladrões que agem no bairro e para usuários de drogas. “Outro dia até morreu um homem aí”, comenta uma moradora.

 

 

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