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Pesquisadores vão calcular, com financiamento da agência espacial americana Nasa, o tamanho da população indígena na Bacia Amazônica antes da chegada dos europeus à região, um dado até hoje muito discutido - as estimativas variam entre 500 mil e 10 milhões de pessoas.
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Para chegar a um número mais preciso,
os cientistas vão usar imagens de satélite que enxergam a
composição química da superfície das folhas das árvores da
região. Esta está diretamente relacionada aos ingredientes
formadores do solo. Assim, os pesquisadores poderão identificar
em quais áreas está a chamada "terra preta de índio",
solo com alto teor de carbono criado pelos antigos indígenas
amazônicas, provavelmente para aumentar a produtividade agrícola
no chão relativamente pobre da Amazônia.
Historicamente, a região amazônica tem sido tratada como uma região de população escassa, o que é contrariado por evidências como a terra preta, normalmente encontrada na beira dos rios. Se extensas áreas de terra preta forem descobertas em áreas ainda inexploradas da Amazônia, ficará claro que a zona já teve uma população considerável e que a floresta atual sofreu a influência da presença destes antigos moradores.
Vista aerea de Paragominas, no Pará. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)
Além de jogar luz sobre a história amazônica, a pesquisa de
Palace pode ajudar a entender como uma grande população pode ter
vivido e produzido alimento na Amazônia sem destruí-la.
O programa de arqueologia espacial da Nasa, que
financia o trabalho, permitiu a recente descoberta de grandes
cidades maias na selva de Belize, na América Central. O grupo
de pesquisadores que trabalharão no levantamento inclui o
arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo; o
ecólogo Mark Bush, do Instituto de Tecnologia da Flórida, nos
EUA; Stephen Hagen, da companhia americana Applied
GeoSolutions; Rob Braswell, da Atmospheric Environmental
Research, outra empresa dos EUA; além de Michael Palace, da
Universidade de New Hampshire, também nos Estados Unidos.

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