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12/06/10 - 07h00 - Atualizado em 12/06/10 - 07h00

Pesquisa vai apontar soluções para acabar com naufrágios na Amazônia

Projeto dura dois anos e prioriza alternativas para barcos de passageiros.
Casco de madeira e falta de estabilidade são principais causas de acidente.

Lucas Frasão Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Uma pesquisa desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) pretende acabar com o naufrágio de embarcações em rios da Amazônia. Com duração de dois anos, o projeto ainda está em fase inicial e pretende desenvolver alternativas que melhorem a estabilidade na água de barcos que levam mercadorias e passageiros.

 

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Geralmente lotado em com peso acima do permitido, este tipo de barco é o que mais sofre com acidentes na região. O último deles ocorreu no fim de maio com um barco que levava mais de 200 passageiros pelo Rio Amazonas no Peru e ia em direção à Colômbia. Havia sete brasileiros a bordo e todos sobreviveram.

 

 

 

Foto: Divulgação

Projeto testa soluções em protótipo do Almirante Monteiro, que afundou há cerca de dois anos com mais de cem pessoas a bordo. (Foto: Divulgação)

Segundo o pesquisador Flávio José Aguiar Soares, responsável pelo projeto, o choque dos cascos dessas embarcações (a maior parte deles construída em madeira) com troncos submersos nos rios e a falta de estabilidade na água são as principais causas de naufrágio na Amazônia.

 

A pesquisa vai se concentrar em soluções que melhorem a estabilidade dos barcos. Um protótipo reduzido da embarcação Almirante Monteiro, que naufragou há cerca de dois anos com pelo menos cem pessoas a bordo, será usada no estudo.

 

O objetivo é analisar seu comportamento em situações instáveis dentro da água, em meio a uma forte correnteza ou com excesso de peso, por exemplo.

 

 

"Podemos fazer com que o leme afunde mais, por exemplo. Já existem soluções eficientes sendo aplicadas em embarcações comerciais e de grande porte. Mas são sofisticadas e caras", diz Soares.

 

Segundo ele, a maior parte de casos de naufrágio com óbito envolvem barcos menores que levam mercadoria e passageiros, geralmente mais vulneráveis a ações externas. "O risco desses barcos perderem a estabilidade na água é maior. Nossa tentativa será desenvolver uma solução eficaz de baixo custo e pouca complexidade, aplicáveis à realidade deste tipo de embarcação", diz ele.

 

A origem do problema está na cultura de produzir os barcos sem padrões de segurança, de acordo com Soares. "Em outros lugares do mundo, as pessoas fazem os projetos dos barcos e depois os fabricam. Na Amazônia, funciona ao contrário. As pessoas fazem o barco na beira do rio de maneira artesanal e depois o levam para ser regularizado na Capitania dos Portos", diz.

 

Foto: Divulgação

Barcos que mais naufragam são os que levam passageiros e mercadorias. (Foto: Divulgação)

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