Passando por cima da floresta amazônica, crescendo de maneira desordenada ou preservando os recursos da mata, quatro capitais da Amazônia desenvolvem suas economias de maneiras distintas. Entre Manaus, no Amazonas, Belém, no Pará, Porto Velho, em Rondônia e Rio Branco, no Acre, exemplos diferentes mostram como a indústria se relaciona com a floresta.
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Na capital do Acre, multiplicam-se histórias de empresas que conseguem aproveitar recursos da floresta. É o caso da produção de biojoias, por exemplo, que utiliza sementes para fabricar peças enviadas a lojas do Rio de Janeiro e de São Paulo.
"Você lida com materiais que vem da floresta, que trazem um conceito de sustentabilidade e estão evitando o desmatamento", diz o artesão Antônio Bezerra, fornecedor de matéria-prima para a produção de biojoias. Antes de trabalhar com o produto, ele era carpinteiro e sofria com o pó de serra no ambiente de trabalho. Agora já emprega parentes.
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Já em Manaus, uma zona franca abriga a maior parte da atividade industrial da cidade. A montagem de eletroeletrônicos não depende de recursos da floresta, mas ajuda o estado do Amazonas a manter de pé 98% de suas matas. "Se isso não existisse, o desmatamento seria entre 70 e 85% maior", diz o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), José Alberto da Costa Machado.
Ao contrário do restante do estado, a capital do
Amazonas carece de áreas verdes e sofre com problemas de cidade
grande. Manaus já tem quase 2 milhões de habitantes e cresce
desordenadamente, com periferias muito pobres e quase sem
árvores. Na região central, favelas se formam em torno de
igarapés. "Aqui havia muita areia e praias, não tinha todo
esse lixo", diz o ajudante de caminhão Armindo Nascimento.
Rondônia e Pará
Já a capital de Rondônia, Porto Velho, passou por cima da floresta amazônica. O estado tem quase 40% da área desmatada. "A forma original de exploração da região amazônica, e em especial de Rondônia, é: vem pra cá, derrube e comece a produzir", diz o prefeito de Porto Velho, Roberto Eduardo Sobrinho.
A capital nasceu há mais de um século como ponto de apoio para a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, que vai até a fronteira com a Bolívia. Era o auge do ciclo de exploração da borracha. Hoje, a cidade se verticaliza, principalmente em função de outras duas grandes obras de engenharia.
A construção das hidrelétricas de Santo Antonio e de Girau movimenta a economia de Porto Velho, atraindo milhares de trabalhadores, como o casal de pedreiros que deixou os Estados Unidos para trabalhar em Rondônia. "Quando começou a crise, falaram para ir embora que no Brasil estava bom. O que mais se fala é sobre Porto Velho e a usina", diz Gildo Albino.
A capital do Pará, Belém, 3 séculos mais antiga do que Porto Velho, segue sendo um centro comercial importante na Amazônia. Aproveitando seus rios, a cidade tem uma história bem próxima da floresta. "Essa visão patrimonial remete à memória das pessoas que moraram e moram aqui. Isso, além de massagear a autoestima, dá a sensação de que, sabendo de onde viemos, fica mais fácil saber para onde vamos", diz o arquiteto e urbanista Paulo Roberto Fernandes.

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