Os grupos frigoríficos JBS e Marfrig suspenderam juntos relações comerciais com mais de 200 fornecedores de gado que atuam com alguma irregularidade, social ou ambiental, na Amazônia, informaram as empresas nesta terça-feira (20).
Siga o Globo
Amazônia no Twitter
O JBS, maior produtor de carne bovina do mundo, e
o Marfrig, o segundo do Brasil e também um dos maiores
participantes no mercado global de carnes, tomaram a decisão
após detectarem via satélite que parte de seus fornecedores
atuava em áreas de preservação, indígena ou próximas de desmatamentos.
saiba mais
Seguindo um acordo feito com representantes da sociedade civil, entre elas o Greenpeace, o Marfrig suspendeu 170 fornecedores de sua lista de mais de 2 mil que atuam em Mato Grosso e Rondônia. Já o JBS cortou de seu cadastro 31 pecuaristas, colocando ainda 1.491 em situação de "alerta", enquanto verifica a condição desses criadores de gado nos Estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia e Acre.
"Com isso, garantimos 100% de controle sobre
a carne abatida no Bioma Amazônico", diz Ocimar Villela,
diretor de Sustentabilidade do Marfrig, cuja produção na região
responde por 7% do total da companhia.
"Os trabalhos de coleta das coordenadas dos
currais de embarque de bovinos para abate passaram a fazer parte
do processo de aquisição de matéria prima da JBS, tornando o
procedimento obrigatório em todas as unidades do grupo",
acrescentou Marco Bortolon, presidente da Divisão de Carnes
Mercosul, do JBS, lembrando que todas as 9.813 propriedades
fornecedoras do frigorífico na região estão monitoradas por
satélites.
O cerco aos pecuaristas que atuam na ilegalidade
tende a se intensificar ainda mais. Seguindo um acordo firmado
com o Ministério Público do Pará, o representante do Marfrig
afirmou que a companhia, a partir de 13 de novembro, só comprará
gado de quem tiver o Cadastro Ambiental Rural (CAR)
regularizado.
O avanço da pecuária é tido por especialistas e
pelo Ministério do Meio Ambiente como um dos principais
responsáveis pelo desmatamento da Amazônia. Frigoríficos têm
sido pressionados no país e no exterior para adotarem práticas
sustentáveis de produção na Amazônia, que se estende por cerca
de 50% do território brasileiro.
O Ministério da Agricultura lançou no ano passado
um programa para monitorar fazendas de gado do Pará, importante
criador de gado e um dos estados que mais desmatam, ao lado
de Mato Grosso.
Área desmatada na Amazônia para criação de gado. (Foto: Rodrigo Baleia/Greenpeace)
Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou ideias para melhorar a proteção da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se possível, fotos ou vídeos.

O Portal de Notcias da Globo