A Amazônia peruana perde 150 mil hectares (1.500 km²) de florestas a cada ano por conta do desmatamento, informou nesta semana a Defensoria Pública do país. O dado sobre a área, equivalente ao tamanho do município de São Paulo, está no boletim "A Política Florestal e a Amazônia Peruana: Avanços e Obstáculos no Caminho para a Sustentabilidade", que acaba de ser publicado.
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Para elaborar o boletim, a Defensoria Pública supervisionou dados do Ministério da Agricultura, do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado, do Organismo de Supervisão dos Recursos Florestais e de Fauna Silvestre e mais oito governos regionais localizados na Amazônia peruana, que fazem fronteira com os estados do Acre e do Amazonas, no Brasil.
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Segundo a defensora pública peruana Beatriz Merino, a perda de mata selvagem representa mais de 42% do total de emissões de gases causadores do efeito estufa no país, que contribuem para o aquecimento global.
Merino também diz que a preservação da Amazônia no país é
importante porque a floresta garante o sustento de comunidades
tradicionais, uma das razões pela qual a instituição pede
prioridade para a aprovação da Lei Florestal e de Fauna Silvestre.
Um dos maiores problemas para conter o avanço do
desmatamento na selva peruana é a fragilidade da fiscalização
ambiental, que facilita a ação de madeireiros clandestinos, por
exemplo. Segundo o boletim, o país conta com 38 escritórios de
supervisão para o monitoramento das florestas. Cada um possui,
em média, três funcionários. Mas apenas três centros contam com
caminhões em bom estado e só um escritório tem bote em condições
de ser utilizado.
Outro fator de preocupação para dezenas de comunidades ribeirinhas é o avanço da indústria petrolífera, que dividiu a floresta em lotes. Em maio deste ano, o governo do país anunciou a abertura de processos de licitação para a exploração do óleo em mais 10 milhões de hectares em campos na Amazônia. Em junho, após ter sofrido um acidente, um barco derramou 63 mil litros de óleo em rio da Amazônia peruana, prejudicando o consumo de água dos rios.
Acampamento de madeireiros no Peru, fotografado em sobrevoo no ano passado. (Foto: Divulgação)
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