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23/07/10 - 15h29 - Atualizado em 23/07/10 - 17h10

MT desmata área maior que 4 cidades de SP em terras indígenas e de conservação

Dados foram analisados em imagens de satélite entre 2005 e 2009.
Na reserva indígena Jarudore, desmatamento consumiu 73% da área.

Lucas Frasão Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Terras Indígenas e Unidades de Conservação do Mato Grosso tiveram 683 mil hectares de florestas desmatadas até dezembro do ano passado, indica relatório do Programa de Monitoramento de Áreas Especiais (ProAE) divulgado nesta sexta-feira (23) pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). A nova análise aponta a derrubada de uma área de 6.830 km², equivalente ao tamanho de quatro vezes a cidade de São Paulo, mais a Ilha de Santa Catarina.

 

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O sistema mostra o resultado a partir da observação de imagens de satélite, coletadas no segundo semestre de 2009. As medições são feitas desde 2005, mas agora, por conta de uma readaptação na metodologia de trabalho do Sipam, a contagem começa do zero novamente e algumas áreas de preservação terão de correr o risco de ficar sem qualquer monitoramento do programa.

 

No total, Mato Grosso tem 19 milhões de áreas que devem ser totalmente preservadas segundo a lei, entre unidades de conservação estaduais e federais, Terras Indígenas e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). O programa que monitora as chamadas áreas especiais destaca-se por identificar pequenos indícios de presença humana, o que permite prevenir o crescimento de uma atividade ilegal, por exemplo.

 

Os territórios indígenas somam 13,5 milhões de hectares no estado e tiveram, segundo o relatório do Sipam, 2,3% de suas áreas desmatadas até agora. Do total de floresta derrubada no estado, cerca de 46,4% estão em áreas indígenas e 46,1% estão em unidades estaduais de conservação, que já perderam 12% da cobertura vegetal. O restante está distribuído em unidades federais de proteção e RPPNs.

 

As reservas indígenas mais prejudicadas são a Jarudore, que teve 3.520 hectares desmatados (73% de seu tamanho), e a Maraiwatsede, com 75.220 hectares derrubados, o equivalente a 45% de sua área.

 

Já a Área de Proteção Ambiental (APA) Cabeceiras do Rio Cuiabá teve 104 mil hectares devastados até o fim de 2009. Ela representa, sozinha, quase um sexto do total que já foi desmatado em áreas especiais do estado. A situação também é ruim na APA Menadros do Rio, que já perdeu 11% de sua cobertura.

 

Divulgação/Divulgação

Na reserva Maraiwatsede, 45% do território já está sem cobertura vegetal. (Foto: Divulgação/ Sipam)

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