Para clicar a Amazônia, o fotógrafo Paulo Santos desceu mais de cem metros no subsolo em um garimpo, mergulhou em busca de toras de madeira transportadas em rios e pegou uma carona de avião de última hora, quando morreu Dorothy Stang. Agora, ele inaugura sua primeira exposição de imagens sobre a região, depois de 21 anos sem expor.
Índios tukanos em São Gabriel da Cachoeira (AM). (Foto: Paulo Santos/Divulgação)
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A mostra "Amazônia, estradas da última fronteira" tem estreia marcada para o próximo dia 5 no Museu Histórico do Pará, em Belém, e resgata parte das fotografias colecionadas em mais de 30 anos de profissão. Até o fim do ano, a exposição também deverá passar por São Paulo e Brasília, além de incluir o lançamento de três livros com fotografias da Amazônia.
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mais fotos na galeria
Nascido em Belém, Santos explica que a exposição
pretende dar aspecto documental à realidade da Amazônia.
"Um peão que mora no interior da mata, por exemplo, não come se não derrubar um pedaço de pau. É fácil falar em defesa dessa região quando sua subsistência não depende diretamente dela. Quero crer que esse trabalho vai levar as pessoas a terem esse tipo de questionamento".
Aventuras
O fotógrafo passou por boas aventuras para
angariar as imagens que hoje compõem a exposição. Por mais de
uma vez, por exemplo, esteve dentro de um garimpo e chegou a
descer cem metros no subsolo para fazer uma imagem.
Outra vez, partiu em busca de fotografias sobre a extração de
madeira na represa de Tucuruí, e acabou mergulhando para fazer
imagens de toras transportadas embaixo d'água. "Um
mergulhador me levou para vê-lo cortando a árvore e eu não tinha
experiência com mergulho. Para ajudar a descer, me amarrei a uns
pedaços de metal pesado, restos da obra da usina que ainda
estavam por lá", diz ele.
No dia em que morreu a missionária norte-americana
Dorothy Stang, em 2005, Santos estava em Brasília. O crime havia
ocorrido em Anapu, no Pará, para onde o fotógrafo conseguiu ir
na mesma noite. "Cheguei lá de madrugada e estava fazendo
fotos na manhã do dia seguinte. O corpo de Dorothy saía do
hospital e era levado até Belém", conta.
Participantes dos Jogos Indígenas, no Pará. (Foto: Paulo Santos/Divulgação)
Depois, Santos também documentou o enterro da missionária, onde
estavam autoridades do governo como Eduardo Suplicy e Jorge
Viana. A imagem foi enviada para a agência de notícias
Associated Press, para a qual Santos colaborava.
Hoje, o fotógrafo faz imagens para a agência
Reuters e mantém um blog
sobre o projeto. Seu envolvimento com a fotografia
começou em 1979, quando ele estava engajado no movimento
estudantil. Apesar de ter décadas de profissão registrando a
Amazônia, Santos é modesto sobre sua experiência no bioma.
"Existem milhares de coisas e lugares que ainda não
conheci", diz.

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