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03/08/10 - 20h06 - Atualizado em 03/08/10 - 20h06

ONU e Equador criam fundo para proteger a Amazônia contra exploração de petróleo

Previsão é de que em 18 meses o valor chegue a US$ 100 milhões.
País está disposto a renunciar a 850 milhões de barris de óleo.

Da Reuters

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O Equador definiu nesta terça-feira (6) a criação de um fundo administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para receber doações que compensem o país por uma futura suspensão da exploração de seu maior campo petrolífero, situado no coração da selva amazônica, para proteger os recursos naturais.

 

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O fundo será administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mas o Equador decidirá em quais projetos serão investidos os recursos doados. A previsão é de que nos primeiros 18 meses o valor chegue a US$ 100 milhões (cerca de R$ 174,8 milhões).

 

O governo equatoriano está disposto a renunciar a cerca de 850 milhões de barris de petróleo do campo de Ihspingo-Tambococha-Tiputini (ITT), a "joia da coroa" do petróleo do país, mas em troca espera a compensação de pelo menos metade dos US$ 7 bilhões (cerca de R$ 12,2 bilhões) que deixaria de receber.

 

O ITT fica no centro do Parque Nacional Yasuní, uma das reservas com maior biodiversidade do planeta, com cerca de 982 mil hectares. "A assinatura do instrumento financeiro é parte desse esforço permanente para nos aproximarmos da utopia de ter um planeta que respeite os direitos dos seres vivos", disse a ministra do Patrimônio, María Fernanda Espinosa, durante a cerimônia.

 

"A iniciativa Yasuní-ITT faz do Equador um país líder da conservação da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e desenvolvimento social com justiça ambiental em nível mundial", acrescentou.

 

O campo ITT representa 20% das reservas petrolíferas do país, menor integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).Os recursos arrecadados serão destinados ao desenvolvimento de energias alternativas.

 

 

O Parque Yasuní foi declarado pela Unesco Reserva Mundial da Biosfera em 1989. (Foto: Arte G1)

As autoridades garantiram que o país recebeu o apoio formal de Alemanha, Bélgica, União Europeia, Itália e Espanha. A Alemanha se comprometeu a entregar 50 milhões de euros (cerca de R$ 115,1 milhões) por ano.

 

Nas próximas semanas, representantes do governo equatoriano viajam por vários países, incluindo nações árabes, para obter aportes individuais e de empresas privadas.

 

O argumento do Equador para promover esse fundo é de que, ao deixar de explorar o campo ITT, o país evitará a emissão de 407 milhões de toneladas de carbono na atmosfera, quantidade equivalente às emissões de países como Brasil e França em um ano.

 

Em troca dos recursos, serão emitidos certificados de garantia em favor dos doadores, o que permitirá que os recursos lhe sejam devolvidos no caso de o Equador decidir explorar o campo. Se num determinado período o país não conseguir arrecadar os recursos, poderá explorar o ITT.


O Parque Yasuní foi declarado pela Unesco Reserva Mundial da Biosfera em 1989. Segundo estudos científicos, em apenas um hectare o parque abriga cerca de 655 espécies de árvores e arbustos, cerca de 590 espécies de aves e 80 tipos de morcegos, entre outras classes de flora e fauna.

 

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