Desde o início de agosto, 5567 focos de incêndio foram registrados no interior de terras indígenas na Amazônia Legal, a maior parte deles em Mato Grosso e Tocantins. Entre quinta e sexta-feira (dias 12 e 13), um total de 967 focos de queima foram detectados nessas áreas. Os números estão disponíveis no Banco de Dados de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
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Considerando todos os incêndios na Amazônia Legal, que engloba o estado do Mato Grosso e parte do Maranhão, 63557 focos de queima foram registrados desde o início do mês, a maior parte no Pará (23081) e em Mato Grosso (17928). Só entre os dias 12 e 13, a região teve 11045 focos detectados.
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Dentro de reservas indígenas, a situação é mais preocupante na Terra Indígena Araguaia, em Tocantins, que teve 1894 focos de queima detectados pelo sistema desde o início de agosto, considerando o monitoramento por todos os satélites disponíveis. No fim desta semana, mais de 240 focos permaneciam na região.
Destaque em vermelho mostra Terra Indígena Araguaia (TO). À esquerda, reprodução do site da ONG Instituto Socioambiental mostra a TI Araguaia rodeada por outras reservas. À direita, imagem de satélite do Inpe detecta os focos de queima dentro da reserva no fim desta semana. (Foto: Reprodução: ISA e Inpe)
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Segundo José Carlos, chefe do PrevFogo, sistema por meio do qual o Ibama monitora e controla incêndios no país, a Fundação Nacional do Índio (Funai) ainda não acionou o órgão para alertar sobre as queimadas na TI Araguaia. "Em geral, só podemos entrar em terras indígenas com autorização da Funai e da comunidade local, mesmo para combater incêndios", diz ele.
A coordenação do PrevFogo, de acordo com José Carlos, marcou reunião nesta sexta-feira (13) com representantes da Funai e do Instituto Chico Mendes (ICMBio) para traçar um plano de ação contra as queimadas em Terras Indígenas e Unidades de Conservação de todo o país.
Até o momento, o chefe do PrevFogo só tem conhecimento sobre o combate ao incêndio no Parque Indígena do Xingu, que fica a cerca de 250 km de distância (em linha reta) da TI Araguaia, no Centro-Oeste do Brasil. Segundo José Carlos, duas brigadas de incêndio, cada uma com 14 bombeiros, foram enviadas para controlar o fogo no Xingu, que registrou 139 focos de queima em agosto e é a décima área indígena mais atingida no mês segundo dados do Inpe.
Reprodução de imagem de satélite do Inpe detecta focos de queima na Amazônia Legal. À esquerda, pontos no mapa representam focos de queima desde o início do mês, mais altos no Pará (23081 focos) e Mato Grosso (17928). Imagem à direita mostra os 11045 focos de queima detectados nos dias 12 e 13 na Amazônia Legal. (Foto: Reprodução/ Inpe).
No total, o sistema de detecção de queimadas registrou focos de incêndio em 90 reservas indígenas da Amazônia Legal desde o início do mês. Depois da TI Araguaia, as mais prejudicadas foram a Pimentel Barbosa (MT), a Badjônkore e a Kayapó (ambas no Pará). No fim desta semana, 48 áreas indígenas ainda registravam pelo menos um foco de incêndio, sendo que as três mais atingidas são a Araguaia, a Nambiquara (MT) e a Bacurizinho (MA).
O Globo Amazônia tentou fazer contato por diversas vezes com a responsável pelo posto da Funai em Gurupi (TO), mais próximo da TI Araguai, para saber se o órgão chegou a conversar com os indígenas sobre o incêndio no local. Mas a reportagem não foi atendida.

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