Policiais da Força Nacional deverão ser enviados à cidade de Anapu, no Pará, após a ocorrência de novos conflitos entre madeireiros e assentados na região. O município é o mesmo onde atuou a irmã Dorothy Stang, que defendia o fim dos conflitos fundiários na região e foi assassinada em 2005.
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O pedido de reforço de segurança na cidade foi feito pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF) após o órgão receber informações sobre a invasão de madeireiros na área do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança. Segundo o MPF, a situação culminou com dois incidentes em que caminhões foram incendiados dentro de terras do projeto no último mês.
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Acionada pelo MPF, a Ouvidoria Agrária Nacional confirmou o envio de policiais da Força Nacional à região por meio da assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual é vinculada. Os órgãos não divulgam a data prevista de chegada do reforço de segurança na cidade por questão estratégica.
De acordo com o MPF, as terras do PDS Esperança representaram o principal motivo do assassinato de Dorothy Stang. Após sua morte, o governo criou na região um assentamento em que vivem atualmente 100 famílias. A principal atividade econômica está na exploração de alimentos que podem ser cultivados sem a derrubada de árvores da mata.
A última vez que a Força Nacional foi acionada para agir no PDS Esperança, foi quando a missionário foi assassinada. (Foto: Paulo Santos / Divulgação)
"Houve uma reunião em que os assentados disseram ao Incra que não toleravam mais a retirada de madeira da área do projeto. A região se tornou uma ilha de floresta cercada por pastagens", diz o procurador da república no Pará, Felício Pontes Junior. Segundo ele, a informação de que o local precisaria de reforço para evitar novos conflitos veio do Incra.
"Solicitamos a presença da Força Nacional por ao menos 30 dias. A última vez que isso ocorreu, com reforço do Exército, foi na época da morte da irmã Dorothy", diz o procurador.
Até mesmo novas ameças de morte chegaram a ocorrer na região, segundo Felício Pontes. "Ameaçaram um padre da Comissão Pastoral da Terra que está à frente do PDS Esperança. A situação é de emergência", diz ele.
O assentados sofrem prejuízos econômicos com a retirada ilegal de madeira do PDS Esperança, segundo Pontes. "A relação com os madeireiros sempre foi conflituosa e ela piora a cada período de eleições. Seria preciso investigar a relação de empresas madeireiras com o financiamento de campanhas políticas", diz.

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