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01/10/10 - 20h34 - Atualizado em 01/10/10 - 21h07

Dilma defende recuperação de pastos na Amazônia, em vez de mais desmatamento

Usina de Belo Monte é 'realidade e necessidade', argumenta candidata.
Confira as posições da presidenciável petista em relação à Amazônia.

Lucas Frasão Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff defende a construção de grandes empreendimentos na Amazônia brasileira, como a hidrelétrica de Belo Monte, e afirma que deverá seguir com "determinação" o compromisso de reduzir as taxas de desmatamento no bioma, que têm apresentado tendência de queda nos últimos anos.

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"A preservação deste bem (da Amazônia) é um dever do Brasil para com os brasileiros do futuro. Esta riqueza natural é um potencial para nosso desenvolvimento sustentável. Manter este compromisso é nossa maior determinação", disse ela em resposta a questionário enviado pelo Globo Amazônia por e-mail aos candidatos.

 

Foto: Alexandre Durão/G1

Dilma durante o último debate na televisão, nesta quinta-feira (30). (Foto: Alexandre Durão/G1)

Dilma destacou a queda do desmatamento na Amazônia registrada nos últimos anos. À frente da Casa Civil da Presidência da República durante o governo Lula, a candidata também tinha em sua área de coordenação o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), vinculado à pasta. A instituição é uma das responsáveis por acompanhar a situação do desmatamento no ecossistema.

A Amazônia já perdeu cerca de 15% de sua cobertura original por conta do desmatamento, segundo relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicado em setembro de 2010. A maior parte da devastação corresponde ao Arco do Desmatamento, entre o sul do Pará e o norte de Mato Grosso, onde áreas imensas foram desmatadas para a formação de pastagens e plantações. 

 

O avanço do agronegócio é considerado por ambientalistas um dos principais motivos de pressão sobre a floresta. De acordo com Dilma, "o Brasil pode expandir sua produção agrícola sem desmatar". A candidata lembra que "hoje existem 60 milhões de hectares de pasto mal utilizados ou subutilizados, que precisam ser recuperados". "É área mais que suficiente para expandir nossa produção agrícola pelas próximas décadas", diz ela.

A candidata considera "importantíssimo" o debate sobre a mudança no Código Florestal, que pode diminuir ou anular áreas de reserva legal em propriedades no país, entre outras alterações. Segundo Dilma, a discussão sobre uma nova legislação ambiental no Brasil "não pode ser feita de forma precipitada". "Não é possível ser conivente com o desmatamento ou leniente com desmatadores", diz ela.

Infraestrutura


Caso eleita, Dilma pretende dar prosseguimento à construção da usina de Belo Monte, em Altamira, no Pará. A obra é considerada polêmica porque deverá resultar na retirada de comunidades tradicionais e indígenas da região, além de diminuir a vazão de água para outras áreas ao longo do Rio xingu.

A construção, uma das vitrines do governo federal, é alvo de contestações por parte de moradores locais, especialistas e representantes nacionais e internacionais, como o cineasta James Cameron, diretor de "Avatar", que esteve no Brasil e se manifestou contra Belo Monte.


Planejada há décadas pelo governo, Belo Monte teve em abril deste ano seu episódio mais decisivo, quando foi realizado o leilão para definir os construtores da usina, mesmo sob contestação do Ministério Público Federal (MPF). Nesta quarta-feira (29), o MPF voltou a alertar o Ibama sobre a emissão de novas licenças ambientais para a realização da obra.

Para Dilma, a obra é uma "realidade e uma necessidade". "A energia é essencial para que sejam atingidos os objetivos econômicos, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável", diz a candidata. Segundo ela, é possível aliar a construção de novas usinas com a preservação do meio ambiente. Isso seria feito a partir de iniciativas de reflorestamento e recuperação de matas ciliares, de acordo com Dilma.

Sobre a recuperação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e possui um bom trecho em áreas de floresta conservada, Dilma defende o conceito de "estrada-parque", que "concilia medidas decididas de monitoramento e fiscalização", diz ela. A rodovia tem um longo trecho intransitável por falta de manutenção, e ambientalistas defendem que não deve ser reconstruída porque o aumento da circulação numa área de mata intocada pode abrir um vetor de desmatamento, como já aconteceu com outras vias na região.

 

A candidata afirma que os órgãos competentes deverão estabelecer "um novo paradigma de construção de rodovias na Região Norte do país".

 

Leia sobre os outros candidatos:

 

José Serra (PSDB)

Marina Silva (PV)

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL)

 

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