Candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff
defende a construção de grandes empreendimentos na Amazônia
brasileira, como a hidrelétrica de Belo Monte, e afirma que
deverá seguir com "determinação" o compromisso de
reduzir as taxas de desmatamento no bioma, que têm apresentado
tendência de queda nos últimos anos.
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"A preservação deste bem (da Amazônia) é um
dever do Brasil para com os brasileiros do futuro. Esta riqueza
natural é um potencial para nosso desenvolvimento sustentável.
Manter este compromisso é nossa maior determinação", disse
ela em resposta a questionário enviado pelo Globo
Amazônia por e-mail aos candidatos.
Dilma durante o último debate na televisão, nesta quinta-feira (30). (Foto: Alexandre Durão/G1)
Dilma destacou a queda do desmatamento na Amazônia registrada nos
últimos anos. À frente da Casa Civil da Presidência da República
durante o governo Lula, a candidata também tinha em sua área de
coordenação o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), vinculado
à pasta. A instituição é uma das responsáveis por acompanhar a
situação do desmatamento no ecossistema.
A Amazônia já perdeu cerca de 15% de sua cobertura
original por conta do desmatamento, segundo relatório de
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicado em
setembro de 2010. A maior parte da devastação corresponde ao
Arco do Desmatamento, entre o sul do Pará e o norte de Mato
Grosso, onde áreas imensas foram desmatadas para a formação de
pastagens e plantações.
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O avanço do agronegócio é considerado por ambientalistas um dos
principais motivos de pressão sobre a floresta. De acordo com
Dilma, "o Brasil pode expandir sua produção agrícola sem
desmatar". A candidata lembra que "hoje existem 60
milhões de hectares de pasto mal utilizados ou subutilizados,
que precisam ser recuperados". "É área mais que
suficiente para expandir nossa produção agrícola pelas próximas
décadas", diz ela.
A candidata considera "importantíssimo"
o debate sobre a mudança no Código Florestal, que pode diminuir
ou anular áreas de reserva legal em propriedades no país, entre
outras alterações. Segundo Dilma, a discussão sobre uma nova
legislação ambiental no Brasil "não pode ser feita de forma
precipitada". "Não é possível ser conivente com o
desmatamento ou leniente com desmatadores", diz ela.
Infraestrutura
Caso eleita, Dilma pretende dar prosseguimento à
construção da usina de Belo Monte, em Altamira, no Pará. A obra
é considerada polêmica porque deverá resultar na retirada de
comunidades tradicionais e indígenas da região, além de diminuir
a vazão de água para outras áreas ao longo do Rio xingu.
A construção, uma das vitrines do governo federal,
é alvo de contestações por parte de moradores locais,
especialistas e representantes nacionais e internacionais, como
o cineasta James Cameron, diretor de "Avatar", que
esteve no Brasil e se manifestou contra Belo Monte.
Planejada há décadas pelo governo, Belo Monte teve
em abril deste ano seu episódio mais decisivo, quando foi
realizado o leilão para definir os construtores da usina, mesmo
sob contestação do Ministério Público Federal (MPF). Nesta
quarta-feira (29), o MPF voltou a alertar o Ibama sobre a
emissão de novas licenças ambientais para a realização da obra.
Para Dilma, a obra é uma "realidade e uma
necessidade". "A energia é essencial para que sejam
atingidos os objetivos econômicos, sociais e ambientais do
desenvolvimento sustentável", diz a candidata. Segundo ela,
é possível aliar a construção de novas usinas com a preservação
do meio ambiente. Isso seria feito a partir de iniciativas de
reflorestamento e recuperação de matas ciliares, de acordo com
Dilma.
Sobre a recuperação da BR-319, que liga Manaus
(AM) a Porto Velho (RO) e possui um bom trecho em áreas de
floresta conservada, Dilma defende o conceito de
"estrada-parque", que "concilia medidas decididas
de monitoramento e fiscalização", diz ela. A rodovia tem um
longo trecho intransitável por falta de manutenção, e
ambientalistas defendem que não deve ser reconstruída porque o
aumento da circulação numa área de mata intocada pode abrir um
vetor de desmatamento, como já aconteceu com outras vias na região.
A candidata afirma que os órgãos competentes deverão estabelecer "um novo paradigma de construção de rodovias na Região Norte do país".
Leia sobre os outros candidatos:
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL)

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