A descida das águas devido à seca intensa na região amazônica fez
com que antigos desenhos antes submersos ficassem à mostra na
região de Manaus. São inúmeras imagens e marcas numa laje
arenítica situada na altura do Encontro das Águas, a confluência
da água barrenta do Rio Solimões com a água escura do Rio Negro.
As figuras de rostos humanos chamaram atenção de
Akira Tanaka, que trabalha num projeto de reflorestamento
próximo e navegava no rio para verificar os efeitos da seca. “Vi
o pessoal pescando em cima da laje de pedra e fui olhar mais de
perto,quando notei os desenhos”, conta.
Sem a seca intensa, desenhos antigos ficam submersos. (Foto: Akira Tanaka/Arquivo Pessoal)
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Boas parte desses sinais de populações amazônicas ancestrais já voltaram a ser encobertos pelo rio, que agora está subindo. Tanaka registrou os desenhos entalhados na pedra em 28 de outubro.
Arqueólogos
Antes de a água subir, no entanto, houve tempo
para que arqueólogos analisassem os antigos vestígios. Segundo
Helena Lima, da Universidade Federal do Amazonas, há dois tipos
distintos de desenhos. Um é mais recente: tratam-se de rostos
formados por incisões picotadas na pedra que possivelmente foram
produzidas por ferramenta de metal, o que seria indício de que
datam de período posterior à chegada de europeus à região, já
que antes os índios não dominavam o manuseio do ferro. É
possível também que tenham sido feitos com uma ferramenta de
pedra fina.
O outro tipo de desenho encontrado na laje
arenítica é composto por rostos mais geometrizados que têm entre
3000 e 7000 anos, de acordo com Helena. “Nessa época as secas
eram maiores e mais prolongadas”, explica a arqueóloga, ao
justificar como esses antigos moradores da região poderiam ter
marcado uma parte da rocha que atualmente permanece quase todo o
tempo submersa. A datação desses desenhos é feita de forma
relativa, comparando-os com outros sítios arqueológicos e
vestígios encontrados na região.
Além dos dois tipos de desenhos de rostos humanos,
há na laje de pedra uma grande quantidade de marcas de polimento
de pedra. Os índios usavam o local para afiar ferramentas de
pedra, como facas e lança.
Helena Lima explica que já se sabia que esses
desenhos existiam, pois são citados em bibliografia da década de
1930. A novidade é que a seca extrema deste ano permitiu que os
arqueólogos, após décadas, pudessem vê-los e fazer registros
modernos com fotografias e georreferenciamento(anotação das
coordenadas geográficas com GPS).
Os especialistas agora estão trabalhando num relatório sobre o local para entregar ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
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