Empresários, ambientalistas e lideranças políticas e ambientais debatem nesta quinta-feira (25) em Belém os principais desafios para a gestão sustentável do bioma amazônico na próxima década. Organizadores do Fórum Amazônia Sustentável, que ocorre até esta sexta-feira (26) na capital do Pará, acreditam que a economia da região começa a entrar em uma nova fase no século 21.
Siga o Globo
Amazônia no Twitter
"Estamos entrando em um novo ciclo de desenvolvimento da Amazônia", disse Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), uma das organizações que participam do evento. Na opinião de Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA), os empresários precisam estudar mais a região para não repetirem modelos de exploração aplicados em outras áreas do Brasil. "Para o desenvolvimento da Amazônia ser de fato sustentável, os questionamentos têm de ser diferentes", disse ela.
Em sua 4ª edição, o Fórum Amazônia Sustentável é
formado por cerca de 230 organizações. Os apoiadores do encontro
defendem um novo enfoque para o desenvolvimento da região, que
possui a maior biodiversidade do mundo e maior potencial de
exploração de recursos naturais do país. Nesta quarta-feira
(24), dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) mostraram que o valor
da produção florestal subiu de 30,7% em 2008 para 33,6% em
2009, totalizando R$ 4,6 bilhões.
Beto Veríssimo (Imazon) abre debate com vice-governador eleito do Pará, Helenilson Pontes (PPS-PA) e o senador eleito pelo Acre, Jorge Viana (PT-AC). (Foto: Lucas Frasão/ Globo Amazônia)
saiba mais
Também participam do encontro empresas da iniciativa privada, como a Vale, a Petrobras e a Agropalma. Além de lideranças políticas.
O ex-governador do Acre e senador eleito Jorge Viana (PT-AC), defende que o Brasil começou a estabelecer políticas para romper com um modelo de gestão da Amazônia aplicado sobretudo nas últimas 3 décadas do século 20.
"Nesse período, o país resolveu expandir o uso da terra
vindo para a Amazônia e, para isso, teve de tirar os
'obstáculos' do caminho. Criou-se um problema
gravíssimo e alguns governos locais ainda pensam assim",
disse ele. "A grande vantagem comparativa da região está em
cima da terra, e não embaixo dela, sem esquecer da
mineração".
Vice-governador eleito no Pará, Helenilson Pontes
(PPS-PA) também defendeu mudanças na ocupação do território
amazônico. "É preciso diminuir a visão que o setor
agropecuário tem do uso da terra, que é de pecuária
extensiva", disse ele. Segundo Veríssimo, do Imazon, o Pará
tem uma área desmatada de cerca de 25 milhões de hectares,
próxima ao tamanho do estado de São Paulo, dos quais 10 milhões
de hectares estão abandonados ou não são aproveitados.
Pontes ainda lembrou que o Pará tem cerca de 2,8
milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, apesar
dos altos recursos que gera a partir da exploração energética
emineral. "Quando se fala em Belo Monte, em mineração, não
se fala nestas pessoas", disse.

O Portal de Notcias da Globo