Uma área na Amazônia de aproximadamente 90 mil quilômetros
quadrados - o equivalente a 60 vezes a cidade de São Paulo -
poderá ser retomada pela União. Isso porque seus atuais
ocupantes não se apresentaram para cadastramento no programa de
regularização fundiária do governo. Ao final da primeira etapa
de cadastramento dos posseiros, que alcançou 84,2 mil ocupações
desde 2009, o Ministério do Desenvolvimento Agrário lançará uma
convocação aos ocupantes de áreas mais consolidadas de
exploração econômica na Amazônia e também nas bordas da região
mais preservada da floresta, além de uma área menor no chamado
"coração" da floresta.
A avaliação é de que os atuais ocupantes de 30% da
área alcançada nessa primeira etapa da regularização fundiária
não se apresentaram ao cadastramento do Terra Legal, calcula o
coordenador do programa, Carlos Guedes. "Depois do processo
de chamada compulsória, o governo vai retomar as áreas",
disse.
As terras retomadas serão destinadas a novas
unidades de conservação do bioma ou serão usadas para compensar
passivos ambientais de assentamentos de reforma agrária na
região, prevê proposta em discussão no governo, a que o Estado
teve acesso. O documento Diretrizes para a Destinação
Sustentável das Terras Federais na Amazônia Legal prevê o uso de
terras remanescentes para o assentamento de atingidos por
barragens de grandes hidrelétricas na região.
Acima do limite
Uma das principais razões para a não apresentação
dos ocupantes para cadastramento seria o tamanho do imóvel,
acima dos limites permitidos pela regularização fundiária, de
até 15 módulos fiscais. A expectativa do governo é de que
apareçam grandes ocupações irregulares de terras públicas a
partir do cadastramento e do trabalho de georreferenciamento das
terras.
Até terça-feira (14), o Terra Legal havia
cadastrado 84,2 mil posseiros na Amazônia. A maioria deles terá
direito aos imóveis sem nenhum custo, porque as posses não
ultrapassam 1 módulo fiscal (até 100 hectares, dependendo do
município). Esse grupo reúne 65% dos cadastrados até agora. As
pequenas posses, de 1 a 4 módulos, representam 27% do total. Já
nas propriedades médias, de 4 a 15 módulos, encontram-se 7,8%
dos inscritos no programa de regularização. O preço a ser pago
vai variar de acordo com a localização dos terrenos, sempre
abaixo do preço de mercado. Há hectare sendo vendido a R$ 2,99.
Os terrenos acima de 15 módulos só poderão ser
comprados pelos ocupantes por meio de licitação. Por ora,
apareceram 168 pretendentes aos imóveis maiores. O Pará foi o
estado com o maior número de cadastrados (66,3% do total). Os
inscritos declararam agricultura e pecuária como as atividades
econômicas predominantes nas áreas da União ocupadas
irregularmente.
O programa de regularização fundiária da Amazônia
foi lançado em 2009 e abriu caminho ao reconhecimento das posses
ocupadas até dezembro de 2004. Até o final do ano que vem, o
governo pretende regularizar 560 mil quilômetros quadrados de
terras públicas, o equivalente a mais de duas vezes o tamanho do
estado de São Paulo.

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