O aplicativo Amazônia.vc concentra dados de dois sistemas de monitoramento do Inpe. (Foto: Reprodução)
O aplicativo Amazônia.vc, que a Globo lança neste domingo (7)
junto com o portal Globo Amazônia, permite
visualizar em uma só tela os dados de dois sistemas usados pelo
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para monitorar
a devastação da floresta - o Monitoramento de Focos de Queimadas
e o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).
O Deter foi desenvolvido como um sistema de alerta
para apoiar a fiscalização e o controle de desmatamento e usa
principalmente imagens do sensor Modis instalado no satélite
Terra, da agência espacial norte-americana (Nasa). Este satélite
tem um par chamado Aqua, também equipado com o Modis. Ambos
orbitam a 705 quilômetros de altura, mas o primeiro sobrevoa a
Amazônia pela manhã e o segundo, à tarde.
Veja também:
Mapa
interativo permite monitorar desmatamento na Amazônia
Pelas condições de luz, as imagens do período
matutino são as mais adequadas para o Deter.
Lançamento do satélite CBERS 2, em outubro de 2003, a bordo do foguete chinês Longa Marcha 4B. (Foto: Divulgação/Inpe)
O sistema se baseia também em um sensor chamado WFI, instalado no
satélite sino-brasileiro CBERS 2. O Modis e o WFI têm resolução
de cerca de 250 metros, ou seja, suas imagens, que cobrem uma
área de 900 km por 900 km, têm pixeis (pontos) que equivalem à
extensão de 250 m por 250 m.
As imagens dos satélites são recebidas pelo Inpe e
analisadas visualmente por uma equipe de seis técnicos que
marcam as áreas de desmatamento. Eles assinalam tanto terras
onde houve corte raso (derrubada de todas as árvores), quanto
áreas em processo de desmatamento por degradação florestal
(quando somente parte das árvores é cortada, deixando a floresta
mais "rala").
Margem folgada
"O Deter trabalha com uma margem mais folgada [para
classificar o que é desmatamento] para registrar mais áreas
ameaçadas", explica o coordenador do projeto Amazônia do
Inpe, Dalton Valeriano.
No caso de corte raso, os órgãos de fiscalização
podem buscar os responsáveis quando se trata de ação ilegal e,
no caso das áreas de degradação progressiva, além de encontrar
os culpados, o Estado pode atuar para tentar reverter o
processo.
O Deter detecta apenas desmatamentos com área
maior que 25 hectares (2,5 quilômetros quadrados) e, devido à
cobertura de nuvens, nem todos os desmatamentos são rastreados
pelo sistema. "Para focos de desmatamento com mais de 2
quilômetros quadrados, temos uma margem de acerto próxima de
100%", aponta Valeriano, ponderando, no entanto, que,
devido à fiscalização das autoridades, o desmatamento de áreas
grandes está diminuindo.
Como cerca de 25% acontece em áreas menores que 25
hectares (ou seja, invisíveis para o Deter) e outra quantidade
considerável ocorre em áreas de até 50 hectares (nas quais o
Deter tem uma margem de erro mais alta), o coordenador calcula
que o sistema consiga monitorar aproximadamente a metade do
total do desmatamento na Amazônia.
Levantamento Anual
Além do Deter, o instituto faz um levantamento anual mais detalhado do desmatamento por meio do Projeto Prodes, que tem precisão de 95%. Graças ao Prodes, hoje é possível saber que a Amazônia Legal já perdeu 728.526 km² de sua cobertura original de floresta (cerca de 17% do total).
Concepção artística do Landsat 5 no espaço. (Foto: Nasa)
Pelo seu maior grau de precisão, o Prodes é a
referência mais importante para o acompanhamento do desmatamento
a médio e longo prazo. "O Prodes não pode falhar porque, se
isto acontecer, a comunidade internacional vai achar que o
Brasil está escondendo os dados", explica Valeriano.
O sistema utiliza fotografias enviadas à Terra
pelo Landsat 5, satélite americano lançado em 1984. Por já estar
20 anos além da vida útil originalmente prevista, as imagens que
ele produz apresentam deformações que prejudicam o
georreferenciamento (determinação da localização exata da área
fotografada).
"Em abril, ele deu uma pifada", observa
Valeriano. "Não podemos depender do Landsat. Com satélite,
quem tem só um, não tem nenhum", acrescenta. Para garantir
a confiabilidade do Prodes, o Inpe usa imagens complementares do
CBERS 2 e compra também as do sistema DMC, uma constelação de
cinco satélites internacionais.
Uma equipe de cerca de 30 técnicos analisa 213
imagens que cobrem toda a Amazônia Legal. As áreas mais
críticas, como as do chamado "Arco do Desmatamento",
uma larga faixa do território brasileiro que corre paralela às
fronteiras das regiões Norte e Centro-Oeste, são as primeiras a
serem analisadas.
Radiação
Concepção artística do satélite Terra, da Nasa. (Foto: Nasa)
O Monitoramento de Focos de Queimadas, por sua vez, acontece por meio do rastreamento do espectro de radiação eletromagnética da superfície terrestre. É uma técnica semelhante à que satélites militares já utilizaram para vigiar o lançamento de mísseis inimigos. A radiação do calor produzido pelo lançamento, assim como pelo fogo na mata, é registrado por um sensor do satélite. Ao contrário do que acontece com o Prodes e o Deter, o mapa de queimadas não é produzido por técnicos, mas por algoritmos que automatizam o processo.
Com esse método, o reflexo da luz do sol sobre espelhos d'água poderia ser erroneamente interpretado como fogo. Por isso, uma máscara com todos os rios e lagos é aplicada sobre o mapa de queimadas, deixando apenas os pontos detectados em terra.
O sistema é atualizado seis vezes por dia com dados de diferentes satélites estrangeiros, como a dupla Terra/Aqua e os satélites ambientais Goes 10 e Goes 12, também da Nasa. Os dois últimos são geoestacionários, ou seja, giram na mesma velocidade angular da Terra, a cerca de 36 mil quilômetros de altitude, sempre sobre o mesmo ponto da superfície (o Goes 12 está posicionado sobre o Rio Amazonas). O Inpe mapeia queimadas em todo Brasil e em países vizinhos também. No Amazônia.vc, contudo, são utilizados apenas os dados referentes à Amazônia Legal brasileira.

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