Arte rupestre do sítio arqueológico de Serra da Lua. (Foto: Divulgação)
Depois de resistirem por milhares de anos em pedras e cavernas da
Serra da Lua, no município de Monte Alegre (PA), pinturas feitas
por tribos antepassadas correm o risco de desaparecer. Pichações
e pedras atiradas por visitantes têm danificado uma das mais
velhas marcas deixadas por habitantes nas Américas, datadas de
11 mil anos.
"As pessoas atiram pedra brincando de tiro ao
alvo. Há também marcações de nomes de casais de namorados junto
das pinturas", relata Silvio Figueiredo, pesquisador do
Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade
Federal do Pará (UFPA). Ele é um dos organizadores do Encontro
Internacional de Arqueologia Amazônica, promovido pelo Museu
Paraense Emílio Goeldi entre 2 e 5 de setembro em Belém (PA).
Segundo o pesquisador, problema semelhante também
ocorre em um sítio arqueológico da Serra das Andorinhas, em São
Geraldo do Araguaia, também no Pará. "Há sulcos em baixo
relevo feitos em placas rochosas, e as pessoas costumam levar
essas placas como souvenir", denuncia.
Os dois locais estão dentro de áreas protegidas: as pinturas da
Serra da Lua são abrigadas pelo Parque Estadual de Monte Alegre,
enquanto as gravuras em baixo relevo – conhecidas como
petróglifos – encontram-se no Parque Estadual da Serra dos
Martírios/Andorinhas. O problema é que os dois parques não têm
portões, guardas ou guias para receber visitantes, que têm
acesso livre ao material arqueológico.
De acordo com a Coordenadora de Unidades de
Conservação da Secretaria do Meio Ambiente do Pará, Ivelise
Fiock, o órgão está reforçando a infra-estrutura dos parques
para proteger melhor suas riquezas. Na Serra das Andorinhas já
foi instalada uma sede no parque e um gestor foi nomeado. Em
Monte Alegre, o plano de manejo, que estabelece como o parque
vai operar, está sendo finalizado e em breve serão contratados
funcionários para trabalhar no local.
Para Figueiredo, a principal medida a ser tomada
para preservar as inscrições antigas é controlar o acesso aos
parques, estabelecendo um número máximo de visitantes. "Uma
outra ação importante é o que a gente chama de educação
patrimonial. Se as pessoas da região não conhecerem e não derem
importância [a esse material], ninguém mais dará".

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