Na sede do Inpe, em SP, Dalton Valeriano aponta as áreas mais críticas de desmatamento da Amazônia. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)
Na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos (SP), o coordenador do Programa Amazônia do Instituto, Dalton Valeriano, estuda as áreas de desmatamento detectadas pelos satélites. Em uma tela aponta para uma profusão de manchas cinzas em meio ao verde da floresta, a oeste de São Féliz do Xingu, no Pará. "Isto aqui é uma invasão organizada. Nada disso foi planejado".
A área que ele apontou, no sul do Pará, é conhecida como Terra do Meio, e está entre as mais críticas áreas de desmatamento da Amazônia. Valeriano explica que esse é um dos locais que têm prioridade no monitoramento realizado pelo Programa de Cálculo de Desflorestamento da Amazônia (Prodes) do Inpe.
"Primeiro analisamos as áreas onde sabemos que há mais
desmatamento". Além da Terra do Meio, o pesquisador citas
as outras áreas de maior risco: a faixa entre Marabá e São Félix
do Xingu, no Pará, os entornos da BR-163, no Mato Grosso e no
Pará, e as margens da rodovia Transamazônica, também no Pará.
No monitoramento da Amazônia, todo cuidado é
pouco. Antes, o Inpe olhava apenas o chamado Arco do
Desmatamento, faixa que se estende pela fronteira sul da
Amazônia. "Foi um erro do Prodes focar-se apenas no Arco do
Desmatamento. Por causa disso, ele não enxergou o desmatamento
na BR-163". Agora, o programa cobre toda a Amazônia Legal.
Estradas e desmatamento
De acordo com o pesquisador José Maria Cardoso, vice presidente
para a América do Sul da ONG Conservação Internacional, a grande
quantidade de estradas e o denso povoamento contribuem muito
para o desmatamento nessas regiões. "É onde tem gente, tem
infra-estrutura e tem conflito social. Nesses locais também há
muita demanda por terras. São regiões de expansão da fronteira
na Amazônia", explica.
Para que os problemas com desmatamento enfrentados
pelo Pará não se espalhem para regiões mais preservadas, como o
interior do estado do Amazonas, Cardoso diz que é preciso mais
planejamento antes de se construir grandes obras. "É
necessário preparar o território para que essas obras sejam
feitas dentro das melhores condições socioambientais
existentes", afirma.

O Portal de Notcias da Globo