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08/09/08 - 16h59 - Atualizado em 08/09/08 - 19h41

Líder do ranking de protestos se considera um 'radical'

Lúcio Mário é técnico em segurança do trabalho e mora em Caeté (MG).
Usuário registrou mais de 3.500 protestos no Globo Amazônia.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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'Se vejo alguém fazendo uma queimada, eu denuncio na hora', conta o técnico de segurança no trabalho Lúcio Mário Silva. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Quando eu ainda morava em Monte Dourado (PA), um vizinho  cortou uma árvore. Infelizmente, eu não cheguei a tempo, mas fiquei com tanta raiva que acabei pegando a motosserra dele e jogando de um penhasco.”

O técnico em segurança do trabalho Lúcio Mário da Silva, de 33 anos, não consegue ficar parado quando vê alguém destruindo a natureza. “Nesse aspecto, sou bastante radical. Se vejo alguém fazendo uma queimada, denuncio na hora.”

Foi isso que ele fez – e muito – durante esta segunda-feira (8), até alcançar o primeiro lugar no ranking de protestos contra queimadas e desmatamentos do aplicativo Amazônia.vc.

Esse mapa interativo, lançado neste domingo (7) junto com o portal Globo Amazônia, permite que internautas acompanhem em tempo real a destruição da floresta amazônica, e ainda deixa um espaço para os usuários deixarem suas manifestações.

 

Menos de 24 horas após a estréia, o aplicativo já registrava mais de um milhão de protestos, dos quais mais de 3.500 haviam sido feitos por Lúcio Mário. 

 

No topo do ranking


Estar no topo do ranking já rendeu muitos elogios e algumas críticas ao internauta. Pelo menos 34 recados comentando seus protestos figuravam no seu perfil no Orkut nesta segunda-feira.

 

“Muita gente acha que queremos tirar o emprego, coibir o desenvolvimento da região, mas não é isso. O objetivo é proporcionar um desenvolvimento sustentável. Não é queimando a floresta de forma descontrolada que a gente vai gerar desenvolvimento”, explica.

Lúcio Mário, que já trabalhou cinco anos no Pará e hoje mora em Caeté (MG), considera que a devastação da Amazônia poderia ser freada se houvesse mais sensibilidade do poder público. “Hoje mesmo uma floresta aqui da cidade pegou fogo. Se tivéssemos uma brigada de incêndio, uma população mais conscientizada, esse incêndio não teria a proporção que teve”, relata.

Para o internauta, vigiar a Amazônia é tarefa de todos. “Algumas pessoas que me contataram reclamando que eu tenho que cuidar mais da minha região. Eu cuido, sim, mas aqui quase não há mais florestas, e não dá mais para voltar atrás. Temos que cuidar do que a gente ainda tem”, conclui.

 

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